O jornalista o cientista político André
Singer afirma que o acordo entre Rede e PSB não é programático e sim
pragmático; ele afirma ainda que, se o pragmatismo impuser esta escolha,
Eduardo Campos poderá até ser vice de Marina Silva
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- André Singer, colunista da Folha
e ex-porta-voz de Lula, vê muita espuma e pouca consistência programática na
aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva. Leia, abaixo, sua análise:
Espuma
A
principal virtude da decisão de Marina Silva de se filiar ao PSB foi a de ser inesperada.
Ao fazer o surpreendente lance, a ex-senadora, que já vinha ocupando o centro
da cena com o registro da Rede, continuou a dominar o noticiário. Mas, passado
o efeito surpresa, o que restará?
O
aspecto engenhoso da solução encontrada por Marina para o impasse em que se
encontrava foi que, quando todos esperavam uma definição, manteve o suspense.
Registrando-se em agremiação que já tem candidato, ela não precisa definir agora se vai concorrer. Mais ainda: declarando apoio, em princípio, a Eduardo Campos, protege-se da acusação de ter aderido ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) só para se candidatar, o que estaria em flagrante contradição com a proposta de renovar os costumes políticos nacionais.
Registrando-se em agremiação que já tem candidato, ela não precisa definir agora se vai concorrer. Mais ainda: declarando apoio, em princípio, a Eduardo Campos, protege-se da acusação de ter aderido ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) só para se candidatar, o que estaria em flagrante contradição com a proposta de renovar os costumes políticos nacionais.
O
pequeno, mas óbvio, detalhe que torna a construção pouco crível é que, para
apoiar Campos, a líder da Rede não precisava ter se filiado ao PSB, bastando
indicá-lo como postulante preferido à sucessão de Dilma Rousseff. A matrícula
só existe para deixar aberta a possibilidade de ser ela mesma candidata. Para
tanto, Marina arriscou a própria razão de ser do importante movimento renovador
que dirige, o qual já começa em fusão com uma legenda tradicional.
Eduardo
funciona como biombo ideal para a candidatura de Marina, deixando-a em uma
conveniente redoma até que as massas de classe média, na forma das pesquisas de
intenção de votos, exijam que assuma, no primeiro semestre de 2014, a cabeça da
chapa para "salvar o Brasil". Por que, então, teria o matreiro
governador de Pernambuco aceito o negócio?
O
pernambucano deve ter avaliado que o risco valia a pena. Afinal, a jogada de
Marina também o projeta ao primeiro plano dos meios de comunicação. Ainda pouco
conhecido fora do seu Estado, o neto de Arraes precisa de exposição. Afora
isso, com o respaldo da Rede, ele penetra em um eleitorado que, além de ser
nacionalizado, é jovem, o que lhe garante longo futuro.
Chegado
o momento de decidir, se verá o que acontece, terá pensado Campos --que, por
ser também jovem, pode-se dar ao luxo das experiências. Até a de ser vice em
2014.
Com
o objetivo de salvar a cara de seu partido, do qual ainda se espera uma
contribuição consistente ao Brasil, Marina insiste em que a união é
programática. Mas nem ela nem Campos são capazes de enunciar uma linha sequer
do programa comum, pela simples razão de que ele não existe.
Quando
a espuma baixar, vão aparecer apenas dois candidatos, coabitando uma única
sigla. Mas, até lá, terão sido, ambos, personagens de longa e proveitosa
novela.
Postado por Helio Borba, no saite APOSENTADO
INVOCADO de ontem, dia
onze.
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