Terceira Via é,
hoje,
o “samba do crioulo doido”
DIÁRIO DA MANHÃ
RENATO DIAS
Socialismo de
Santa Helena, inventado pelo produtor rural Alcides Rodrigues Filho, temperado
com capitalismo de Estado de Senador Canedo, criação do empresário Vanderlan
Cardoso, ex-PMDB e ex-PR, uma pitada de marxismo-leninismo à moda Carlinhos
Cachoeira, com Elias Vaz e Martiniano Cavalcante, além, é claro, de salmos
evangélicos do PSC de Marco Feliciano (SP), em Goiás personificado pelo
deputado estadual Simeyzon Silveira. Ah! Tudo preparado na Kanal pelo
ex-secretário de Estado da Fazenda Jorcelino Braga, mandachuvas do PRP.
Anunciada por Jorge Kajuru, essa é a 3ª Via.
Não custa lembrar: desidratada do agronegócio do deputado federal, Ronaldo
Caiado, o todo-poderoso presidente do Democratas, expulso da frente pela cristã
sustentável Marina Silva, hoje aliada da velha política do PSB (Partido
Socialista Brasileiro, que em Goiás, é controlado por um capitalista de mão
cheia), legenda criada ainda na primeira metade do século 20. A coalizão quer
ser uma alternativa, no ano que vem, ao Fla-Flu de 1998, 2002, 2006, 2010: PSDB
e satélites e PMDB & PT.
Zigue-zague
Pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas,
Vanderlan Cardoso iniciou a sua carreira sob a proteção do Tempo Novo, migrou
para o Partido da República. Depois, ele ingressou no PMDB pelas mãos de Iris
Rezende Machado, enquanto, ao mesmo tempo, anabolizava o PSC. Sem espaços
no manda brasa, fez um leilão e acertou com Eduardo Campos, governador de
Pernambuco, Estado onde tem negócios privados, tomar as rédeas socialistas no
Cerrado. O PSB era controlado até então pelo empresário multinacional José
Batista Jr., Júnior Friboi.
Vanderlan Cardoso manteve amizades de 2010. A
primeira delas é o ex-governador do Estado Alcides Rodrigues Filho, que
desfiliou-se do PP, cujas contas foram reprovadas pelo Tribunal de Contas do
Estado de Goiás (TCE). Depois de se insurgir contra a instalação de uma
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na Assembleia Legislativa, para
investigar o Palácio das Esmeraldas, Simeyzon Silveira prometeu se comportar
como um verdadeiro oposicionista, apesar das tentações das delícias
proporcionadas pela ambrosia da Casa Verde.
Trabalhismo
Deputada federal, Flávia Morais é cotada para
a vice. O abacaxi é que o seu partido, o PDT, presidido em Goiás por seu
marido, George Morais, ex-prefeito de Trindade, é aliado nacional do PT e de
Dilma Rousseff, que decidiu manter na Esplanada dos Ministérios um acusado de
ser, no mínimo, conivente com o malfeitos de assessores na Pasta do Trabalho:
Manoel Dias. O PT irá cobrar a fatura nos Estados. Goiás não deve ficar fora da
lista. Dioji Ikeda, de Inhumas, um dos 12 prefeitos do partido no Estado, já
apoia Antônio Roberto Gomide (PT) ao governo estadual.
Atingido pela Operação Monte Carlo – aquela
executada pela Polícia Federal e que flagrou Demóstenes Torres, então paladino
da ética e da moralidade, inimigo número um do petismo, com negócios escusos
com o empresário Carlinhos Cachoeira –,o vereador Elias Vaz decidiu abandonar o
Psol (Partido Socialismo e Liberdade) para ingressar, como Heloísa Helena (AL),
na Rede Sustentabilidade, o partido que a ex-ministra do Meio Ambiente e
evangélica Marina Silva criou, mas não obteve registro, para ficar a seu
serviço nas eleições de 2014, no Brasil.
Com a Rede caiu, Elias Vaz e Martiniano
Cavalcante, os dois com passagens pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro),
Comitê Gregório Bezerra, Partido dos Trabalhadores (PT), Partido da Libertação
Proletária (PLP), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU),
Partido Verde (PV), Partido Socialismo e Liberdade (Psol); Rede
Sustentabilidade, transferiram-se de mala e cuia para o PSB, de Alcides
Rodrigues Filho, Vanderlan Cardoso e Eduardo Campos. Uma viagem do
marxismo-leninismo para o socialismo água com açúcar do capital.
Ódio
Até quando a salada ideológica da 3ª Via
continuará unificada ninguém sabe. O que os une, hoje, é o ódio a Marconi
Perillo, o atual inquilino da Casa Verde. Não há um eixo programático que
explique esse “samba do crioulo doido”. Com o “passa-moleque” de Marina Silva,
o ex-presidente da União Democrática Ruralista Ronaldo Caiado, líder da bancada
na Câmara dos Deputados, em Brasília, anunciou a sua saída do bloco. A próxima
a abandonar o barco pode ser Flávia Morais. Resta saber se o que sobrar será
suficiente para impedir que o palanque de Eduardo Campos em Goiás não afunde. O
tempo é o senhor da razão.
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