segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Subsecretário da Receita Federal pede exoneração !!!

Por Mônica Izaguirre | Valor

Após dois anos e meio no cargo, Caio Marques Cândido deixou o comando  da Subsecretaria de Fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB), ontem, dizendo-se “incomodado com a influência externa” em decisões do órgão. Em correspondência interna a outros auditores fiscais, ele contou que pediu exoneração por causa da “prevalência, em algumas decisões, de posições menos técnicas, divorciadas do melhor interesse”.

A circulação da mensagem, que teria sido enviada para cerca de 4 mil servidores da carreira,  e seu consequente vazamento para a imprensa, provocou reação do Ministério da Fazenda, em especial, do secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto.  Procurado pelo Valor, o ministério respondeu com uma nota assinada pelo secretário.

A nota confirma que o até então subsecretário não foi demitido e, sim, que pediu para sair, embora a portaria de exoneração, assinada pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, não informe que a demissão foi a pedido. Segundo o comunicado, “qualquer ilação de que o pedido de exoneração teria fundamento em supostas ingerências externas à Receita Federal é equivocada e desconectada da realidade”.

De acordo com Barreto, Caio Cândido deixou o comando da Fiscalização “principalmente por razões pessoais (familiares)”, o que  é citado na mensagem do ex-subsecretário aos colegas. Barreto admite, na mesma nota, que houve um “natural desgaste do exercício da função”. Esse desgaste, entretanto,  foi “decorrente de questões administrativas internas ao órgão”, segundo o secretário da Receita Federal.

Fonte ouvida pelo Valor disse que Caio Cândido realmente estava incomodado com decisões  tomadas pela cúpula da Receita Federal e pelo Ministério da Fazenda em relação a várias questões. "Foi um acúmulo", afirmou um alto servidor do ministério, sem especificar nenhuma delas.

A exoneração de Caio Cândido veio no mesmo dia em que o Palácio do Planalto sancionou a reabertura do Refis e a criação de dois novos programas de parcelamento de dívidas com a Fazenda Nacional, medidas aprovadas pelo Congresso ao ampliar o projeto de conversão da Medida Provisória (MP) 615. Essa parte do projeto não foi alvo dos vetos da presidente Dilma Rousseff ao sancionar o texto que virou a Lei 12.865, publicada no Diário Oficial da União de quinta-feira.

A Receita queria o veto, tanto que o órgão chegou a apresentar estudos técnicos apontando que, além de não serem eficazes, medidas como o Refis ainda estimulam a concorrência desleal entre empresas. Ao comentar as mudanças decorrentes da sanção da lei, técnicos da Receita deixaram claro que a decisão foi do "Poder Executivo" e não do orgão.

Os novos programas facilitam o pagamento de débitos de instituições financeiras e seguradoras. Também são beneficiadas empresas multinacionais brasileiras com débitos decorrentes do não recolhimento de tributos sobre lucros de coligadas ou controladas no exterior, o que teria sido o principal motivo da insatisfação do ex-subsecretário. 

A disputa sobre a tributação no exterior afeta grandes empresas, como Vale, Gerdau, Natura, Itaú Unibanco e CSN, que têm passivos tributários relativos a autuações pela Receita Federal.

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