segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ombudsman da "falha" faz crítica ao próprio jornal ! ! !


Por Vera Guimarães Martins, ombudsman da Folha.
Há um novo escândalo na praça e, caso se confirme a avaliação dos investigadores, ele desponta com pinta de campeão. Trata-se da Operação Zelotes, que, segundo a Polícia Federal, já provocou prejuízos de ao menos R$ 6 bilhões, podendo chegar a R$ 19 bilhões. Em termos monetários, sua magnitude pode deixar para trás o butim da Lava Jato, que, por sua vez, já havia superado os valores malversados no mensalão. Pois, mesmo com essas promissoras credenciais, o assunto não tem merecido da Folha o mesmo destaque dado aos seus predecessores.
Deflagrada pela Polícia Federal no último dia 26, a Zelotes investiga um esquema de sonegação de impostos incrustado na própria Receita Federal. Aliados a quadrilhas, integrantes do conselho responsável pela avaliação dos recursos de contribuintes multados pelo fisco cobravam suborno para reduzir ou anular multas milionárias. Na lista de casos investigados há bancos, empreiteiras, montadoras e grupos empresariais parrudos, incluindo um de comunicação do sul do país.
Só na última quinta (2), uma semana depois do início, a operação galgou a manchete deste jornal (“Mensagem liga lobista a caso que fraudou Receita”). Um dia após ser deflagrada (27), a Zelotes foi o título principal dos concorrentes, mas mereceu na Folha uma chamada modesta. O tema ficou sumido da capa por três dias e voltou ainda menor na terça (31) e na quarta (1º). O furo mais importante até agora, a lista de grandes empresas investigadas, foi obra da concorrência.
Ainda que movimente enormes somas, um esquema de sonegação fiscal como esse pode não ter o apelo midiático explosivo do escândalo da Lava Jato, que se espraia por partidos e políticos do primeiro escalão da República. É um erro, contudo, menosprezar sua importância. Um dos aspectos mais celebrados do caso Petrobras é que a investigação está atingindo corruptos e corruptores (embora seja difícil saber quem é quem nesse jogo). A punição de quem paga suborno para levar vantagem não é só questão de Justiça, é aspiração de qualquer sociedade que se quer desenvolvida.

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