Ele
Joaquim Barbosa estabeleceu um padrão
de juiz vingador que está sendo seguido à risca por Sergio Moro. Servem ao
mesmo propósito: encarnar a figura do salvador da pátria, do sujeito que vai acabar
com a corrupção — leia-se, com o PT.
Barbosa foi açulado e adotado pela
Globo — que o descartou assim que deixou de ter serventia. Não será diferente
desta vez. Moro deveria saber disso e, fora tudo, manter uma distância
regulamentar do estrelato passageiro, mas a vaidade e o messianismo o impelem
adiante.
Sergio Moro recebeu das mãos de João
Roberto Marinho o prêmio “Faz Diferença”, que homenageou os brasileiros que
mais de destacaram em 2014. Há dois anos, quem recebeu a mesma comenda, todo pimpão, no Copacabana Palace Rio de Janeiro? Joaquim
Barbosa, por sua atuação memorável no mensalão.
Os dois foram Personalidades do Ano e o
roteiro foi absolutamente idêntico. Barbosa fez questão de dizer algumas
palavras sobre a mídia no palco: “Vejo que a vida pública deve ser e tem que
ser vigiada pela imprensa. Não consigo ver a vida do Estado e de seus agentes e
personagens sem a vigilância da imprensa. Na minha concepção, a transparência e
abertura total e absoluta devem ser a regra. Não se deve ter mistério para
aqueles que exercem a atividade pública que eu exerço atualmente”, falou.
O discurso de Moro foi basicamente igual, talvez um pouco menos pretensioso. A imprensa tem tido um papel
fundamental na Lava Jato “levando a informação de tudo o que acontece no
processo para o público em geral”, disse. “É a Constituição que determina que o
processo deve ser, em regra, público, e apenas, excepcionalmente, ser conduzido
em sigilo.”
A fama é uma droga poderosa e todos já
vimos o que ex-celebridades são capazes de fazer por um minuto da glória
desaparecida. Aposentado, como uma espécie de ex-BBB, Barbosa tem usado o
Twitter para ver se se mantém à tona.
Ontem, dia 23, bajulou a emissora
carioca de uma maneira constrangedora. “Parabéns à cinquentona TV Globo e
aos profissionais que a construíram pedra-sobre-pedra. A Globo aproximou
milhões de brasileiros a outros brasileiros, via língua, cultura, sotaques
jamais antes imaginados”, escreveu.
Não parou aí. “Globo: fez pouco, mas já
fez mais do que os seus concorrentes na ainda discreta, porém consistente
inclusão de negros no seu jornalismo.”
Para além da sabujice, não faz o menor
sentido. A Globo tem quatro negros de relativa relevância, os mesmos quatro há
décadas, fazendo a mesma coisa (Glória Maria, Heraldo Pereira, Zileide Silva e
Abel Neto).
Sergio Moro podia se tocar de que é
Barbosa amanhã, mas agora é tarde demais. Moro é o Joaquim Barbosa de alma branca.
ATENÇÃO: as palavras na cor vermelha
constam originariamente no texto, mas os destaques são deste BLOGUEIRO.
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