O Rapadura republica artigos de jornalistas/blogueiros sobre o artigo da Presidenta Dilma Rousseff num jornal paulista.
"Aos Frias, com carinho"
por Leandro Fortes
O
artigo da presidenta Dilma Rousseff com desejos de um feliz 2016 a todos
brasileiros e brasileiras foi, primeiro, publicado na Folha de S.Paulo.
A
mesma Folha que, há três meses, fez um editorial intitulado
“Última chance”, no qual exigia a saída dela, de forma desrespeitosa e degradante.
A
mesma Folha da ficha falsa, da campanha eleitoral de 2010.
Sem
falar no fato de que, até o Blog do Planalto ser autorizado a reproduzir o
artigo, às 13h39 do dia 1º, somente os assinantes da Folha (em sua maioria,
partidários do impeachment) puderam ler o texto – a tempo de ridicularizá-lo nas redes.
Tiveram
a primeira manhã inteira de 2016 para isso.
Redes
que Dilma poderia ter usado para, democrática e gratuitamente, publicar o texto
para todos os brasileiros e brasileiras.
Sobretudo
para aqueles que enfrentaram a Folha de S.Paulo, entre outras
cidadelas do golpe, para mantê-la no cargo, em 2015.
Ou
seja, a nossa querida presidenta não aprendeu nada.
* * *
"A polêmica em torno do
artigo que Dilma escreveu para a Folha"
por Paulo Nogueira
A primeira treta de 2016 já está no ar. No centro está um
artigo que Dilma escreveu para a Folha a propósito do Ano Novo.
A
questão é: Dilma apanhou tanto da Folha, e é assim que ela responde?
Para
mim, trata-se de um modelo mental obsoleto. Dilma enxerga a mídia ao velho modo
– jornais e revistas impressos, rádios e televisão.
A
internet, nesta ótica, é uma coisa exótica e para poucos.
Os que defendem o artigo na Folha usam também, essencialmente,
o mesmo modelo mental obsoleto.
Eles
dizem que é uma maneira de Dilma se comunicar com analfabetos políticos, ou
reacionários, ou, como muitos definem, “coxinhas”.
Não é um bom argumento.
Quantas pessoas leem a Folha? Destas, quantos lerão Dilma?
E quantos se deixarão convencer por qualquer coisa
que venha dela? Faça um exercício: leia os comentários no site sobre o texto.
Do ponto de vista da simbologia, além de tudo, a mensagem não poderia ser pior: fraqueza e pusilanimidade diante do inimigo.
Dilma não
se ajuda com o artigo na Folha. Ajuda, com certeza, a Folha, em seu marketing
cínico de pluralidade.
É por
esta mesma lógica que os dois governos do PT veem enfiando bilhões de reais,
ano após ano, em empresas jornalísticas dedicadas a destruí-los.
Não é fácil para ninguém se libertar de velhos modelos
mentais.
No PT,
um raro exemplo de libertação veio de Lula. Em 2015, Lula passou a tratar a
mídia como ela o trata. Ou quase, uma vez que Lula não é inescrupuloso como os donos das
corporações jornalísticas.
Mas ele
disse um claro basta depois de apanhar calado durante tanto tempo.
Deixou
de dar entrevistas, por exemplo, aos jornais. A internet permite a ele dizer o
que quer do modo que quer. Em seu Instituto Lula ele coloca suas opiniões com
frequência.
Elas
acabam repercutindo na mídia tradicional, nas redes sociais e nos sites
progressistas.
Lula
encontrou seu jeito, na Era Digital, de se comunicar. Descobriu que não tem que se ajoelhar e pedir espaço para jornais e revistas que o abominam.
Lula deu
também entrevistas coletivas não a jornalistas da Folha, Globo, Veja – mas a
blogueiros.
É um bom
hábito que ele deveria manter em 2016.
Igualmente
neste caso, a mídia tradicional acabou cobrindo, indiretamente, Lula.
Em sua
reinvenção no trato da mídia, Lula deu outro grande passo. Deixou de ser
passivo diante de calúnias e acusações sem fundamento. Passou a dar seu lado
prontamente via instituto e, em muitos casos, acionou a Justiça.
Hoje,
quem quiser acusar Lula das costumeiras barbaridades vai pensar duas vezes, ou
três. Ainda que a Justiça seja de um modo geral
favorável à mídia e desfavorável a Lula, ser processado dá trabalho e custa
dinheiro.
Em
situações normais, a relação entre figuras públicas e a imprensa segue outro
caminho, mais cordial. Mas estamos brutalmente distantes de uma situação
normal.
Lula se
deu conta disso.
Dilma
não.
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