Por Davis Sena
Filho
Vamos direto ao ponto: se a presidenta Dilma Rousseff, o Partido dos
Trabalhadores e o Governo Trabalhista não efetivarem o marco regulatório para
os meios de comunicação — um dos poucos setores importantes da economia não
regulado —, vai continuar a comer um dobrado, porque as tentativas sistemáticas
de golpes institucionais e políticos vão ser a tônica, como tem acontecido no
Brasil, principalmente a partir do segundo ano de Governo Dilma.
O PT e o Governo Popular que acabam de vencer uma das eleições mais
difíceis da história da República tem a obrigação de compreender que a direita
partidária, a burguesia brasileira em geral, por intermédio de seu braço midiático ideologicamente conservador e golpista jamais vão amenizar seus
discursos agressivos e rancorosos, de conteúdos preconceituosos, vingativos e
fascistoides, a exemplo das palavras do candidato derrotado, Aécio Neves, no
plenário do Senado. Apesar de o tucano tergiversar, ficou claro que se tem alguma
coisa que a oposição de direita não quer e nunca vai querer é ter qualquer diálogo com o Palácio do
Planalto.
Não deve o Governo esquecer também dos senhores tucanos, o senador
Aloysio Nunes Ferreira e o deputado federal, José Aníbal, que se mostraram contrários
ao diálogo com o Governo, bem como apoiaram os movimentos de conotações
golpistas de sábado passado, que contestaram os resultados das eleições
presidenciais, além de considerarem pertinente a decisão de o PSDB pedir a
recontagem dos votos junto ao TSE. A intenção foi prontamente rechaçada pelo
tribunal, que se mostrou indignado com a paranoia conspiratória dos tucanos, sendo que alguns desses políticos emplumados
falaram até sobre um possível impeachment de Dilma. Absurdo, pois total
desfaçatez.
O pedido insensato de recontagem de votos de uma eleição limpa e livre
de ocorrências graves, como a de 2014, foi feito por meio de ação do deputado
Carlos Sampaio, tucano de Campinas conhecidíssimo por suas diatribes políticas
e ações e atos ridículos, como, por exemplo, ter questionado, em 2013, na
Procuradoria Geral da República (PGR), as roupas vermelhas usadas pela presidenta Dilma Rousseff. Surreal. Porém, acredite: o
episódio mequetrefe e digno de uma comédia pastelão aconteceu.
O PSDB ataca, bate, acusa, denuncia e realiza ações antidemocráticas,
porque judicializa a política e criminaliza seus adversários — o PT e seus
aliados, além de apoiar e ser apoiado por setores reacionários, que odeiam a democracia e, com efeito, detestam a ascensão social dos pobres e de
tudo aquilo que pode libertar o Brasil das amarras do subdesenvolvimento, da dependência e do jugo dos países considerados
desenvolvidos e com históricos colonialistas.
Dissimulados e matreiros, os tucanos preferiram chamar a recontagem, que
foi negada pelo TSE, de “auditoria especial”, o que é a mesma coisa, pois se
trata apenas de uma ilação metafórica e que tem, na verdade, o propósito de
colocar o Governo Trabalhista contra a parede, sem dar trégua, mesmo após a
decisão do povo brasileiro de reconduzir a candidata Dilma Rousseff ao cargo de
presidenta da República.
O resto é história de assombro publicada e veiculada pelos oligopólios e
monopólios do setor midiático, que lutam principalmente para manter seus privilégios e seus poderes e influências intactos, mesmo a fazer, de forma
sistemática e perene, uma oposição política que ultrapassa os limites do bom
senso, da legalidade e da razoabilidade, pois que rasga muitos preceitos do
estado de direito, pois é evidente que esses oligopólios familiares interferem,
inegavelmente, no processo político brasileiro, às vezes até de forma criminosa.
Crimes investigados como os ocorridos nos casos de Época e Veja, em
parceria com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o senador cassado, Demóstenes
Torres, somente para citar apenas um caso, porque existem muitos outros, que
nunca foram investigados para valer e seus autores punidos. O bicheiro e o
ex-senador estão soltos, enquanto José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, por exemplo,
foram para a prisão em que juízes se basearam no “domínio do fato”, sendo que
suas respectivas culpas não foram até hoje comprovadas. Uma lástima a Justiça deste
País, que necessita urgentemente ser reformada por intermédio de um plebiscito.
A Justiça, o sistema político e os meios de comunicação precisam de uma
mini constituinte, cujo oxigênio é o plebiscito, com seus coordenadores legais
a falar e explicar, por intermédio de inserções na televisão, sobre o que se
trata, bem como o que vai melhorar para a sociedade, no que diz respeito ao
País ter uma legislação partidária, política e eleitoral mais moderna e
fiscalizadora, livre de interferências e financiamentos da iniciativa privada,
onde atua e age a grande maioria dos corruptores.
No Brasil, fala-se muito dos corruptos e pouco dos corruptores. Por
motivos óbvios, é claro. É como se fosse assim: aos empresários tudo! Até o direito de
corromper livremente. E, de fato, é o que acontece, mas com o plebiscito da
reforma política as coisas nesse setor vão melhorar para o povo brasileiro. Só
que tem uma coisa: por causa desses motivos elencados é que a reação, por meio
dos canais privados e concessionários de televisão, realiza uma propaganda
caluniosa, injuriosa e mentirosa contra o marco regulatório para os meios de comunicação.
Esse processo insidioso e difamatório propagado pelas mídias privadas
controladas por meia dúzia de famílias bilionárias tem de ser plenamente
combatido pelo Governo Trabalhista e Popular de Dilma Rousseff. Os meios para
isso são exatamente as mídias conservadoras de históricos golpistas. O Governo
tem dar publicidade, realizar inserções sobre o plebiscito da reforma política
e também explicar à população brasileira que o marco regulatório é tão
importante quanto
às reformas política e judiciária. Do contrário, fica tudo com dantes no
quartel de Abrantes.
Além disso, o Brasil precisa demais do fortalecimento, da modernização e
da ampliação do sistema midiático do Estado. Os meios de comunicação estatais,
através de televisões, rádios, internet e publicações, tem de chegar aos lares
do povo brasileiro, como acontece na Inglaterra, na França, na Espanha, na
Suécia e em Portugal, somente para dar cinco exemplos, porque existem muito
mais.
Os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, seus empregados, a
burguesia em geral e os coxinhas de classe média consumidores de seus produtos
mequetrefes e rastaqueras adoram esses países, os consideram exemplos de
administração e referências de sociedades civilizadas. Inclusive “aceitam” que
tais países possuem meios de comunicações estatais fortes e abrangentes.
Por que, então, essa gente repetidora das papagaiadas da imprensa de
negócios privados fica a falar bobagens maledicentes e matreiras quando se
trata do Brasil? Disseminadores de um papo que não cola mais e que teima em
evidenciar termos ridículos e propositalmente sórdidos e levianos como “bolivariano”, “venezuelização”, “cubanização” e outras idiotices
sem fundamento, porque não retratam a realidade dos fatos e dos acontecimentos
de um Brasil independente e que luta para emancipar seu povo, bem como
protegido pelo estado democrático de direito.
Contudo, respondo por que tais grupos reagem à democratização total da
sociedade brasileira. Primeiro, porque detestam a democracia, pois uma sociedade democrática abre as portas da
educação, da saúde, da mobilidade social (ir e vir), do emprego, do consumo e
do acesso a bens duráveis, como carros, eletroeletrônicos, casa própria, além
de prazeres até então destinados àqueles que pensam até hoje que Deus os
abençoou com um mundo VIP, cheios de privilégios e prazeres, como irem ao cinema, teatro,
restaurantes, shoppings, aeroportos, dentre muitas outras coisas.
Ressalto ainda que uma das características dos abastados (burgueses e
pequenos burgueses) é a territorialidade. Fator de imensa importância para as
classes dominantes, que detestam verificar e perceber que os pobres se deslocam
para seus bairros não apenas na condição de empregados de certa “elite”. Nos
últimos tempos, a burguesia está a dividir suas praias ou lugares de lazeres,
entretenimentos, e, evidentemente, também os educacionais, a exemplo das
universidades públicas, que hoje tem suas cadeiras ocupadas por negros e pobres, independente de suas naturalidades e origens
sociais e regionais.
É muito duro para essa gente egoísta, preconceituosa e muitas vezes
violenta dividir o mundo, o planeta, apesar de que depois de morta nem o buraco para ser
enterrada escolhe. O Governo Dilma Rousseff não tem mais o direito de empurrar com a barriga, protelar ou fazer ouvidos moucos sobre a efetivação da
Ley dos Médios ou do marco regulatório para os meios de comunicação, tão
necessários ao povo brasileiro e à segurança institucional do Brasil.
Não dá mais para se fingir de cego,
mudo e surdo. Não tem mais cabimento para o Brasil, a sétima maior economia do
mundo e onde viceja uma democracia consolidada ser ainda vítima de golpes e
trapaças praticados por uma “elite” carcomida pelo tempo, saudosa de ditaduras, nostálgica dos tempos coloniais e corrompida por sua própria iniquidade. A democratização dos meios de comunicação, juntamente com o plebiscito
da reforma política, são as ordens do dia. O resto é perfumaria. É isso aí.
ATENÇÃO: as palavras na cor vermelha constam originariamente no texto, mas os destaques são deste BLOGUEIRO.

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