O ex-presidente é bem pior do que Aécio Neves no seu desvario
antidemocrático
por Mauricio Dias — publicado 08/11/2014
02:29, última modificação 08/11/2014 11:50
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Aécio Neves voltou à cena com o
espírito de quem perdeu o governo, mas ganhou a eleição. Esse é um mote que
alenta o sofrimento dos derrotados. No entanto, tentou salvar as aparências ao
repudiar formalmente a truculência de setores da oposição manifestada nas redes
sociais e em pequenos agrupamentos de rua. “Essas manifestações têm o nosso
repúdio mais radical e veemente”, afirmou.
O lema dos estandartes exibidos, “Fora
o PT, “SOS Forças Armadas”, entre outros, e o tom rancoroso dos discursos
oposicionistas recusando o diálogo, proposto nas palavras iniciais de Dilma
Rousseff após reeleita, não brotaram do nada.
A emoção dos
eleitores foi fustigada. Isso incitou o velho ódio antipetista, despertado com
mais força ao longo da campanha eleitoral de 2014. Ao contrário do que apregoa
Aécio Neves. Ele tentou, por exemplo, tapar o sol com a peneira. Para o
candidato derrotado na disputa pela Presidência, estaria havendo apenas
“apropriação indevida de um sentimento livre da sociedade”.
As manifestações, no entanto, não surgiram de combustão espontânea. O
tucano pede “respeito à democracia”, mas joga com um plano B para alterar a
continuidade democrática. A oposição tucana conta, mais uma vez, com o tema
corrupção. O foco é na Petrobras. “Não vamos deixar esse assunto arrefecer”,
promete o tucano.
Em longa apresentação no Senado, em cerimônia articulada, com uma
autoridade provocativa, condiciona o diálogo à investigação. A par disso, conta
com uma nova CPI para investigar os políticos citados na delação premiada. Quase
todos da base do governo.
O candidato derrotado
não é o único a agir assim. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem papel
até mais ativo nesse processo. Com pesar, porém sem surpresa, FHC mais uma vez
lançou a palavra de ordem dos tucanos para o combate ao governo Dilma Rousseff.
Escreveu FHC: “Depois de uma
campanha de infâmias, fica difícil crer que o diálogo proposto não seja
manipulação”. Para ele, o PT errou ao colar em Aécio Neves o rótulo de
“candidato dos ricos”. E não foi? As pesquisas de opinião sustentaram isso.
Falta ao ex-presidente, neste momento, serenidade e comprometimento com a
democracia que tanto prega verbalmente.
Ele ultrapassa os
limites antes do comportamento político democrático do que da própria razão
quando pretende a vitória de Dilma amparada “em pouco acima da metade dos
votos” .
Insinua que a vitória
de Dilma não foi convincente, embora 3,5 milhões de votos não deixem de ser
expressivos. A presidenta seria reeleita mesmo que tivesse apenas 1 voto a
mais.
FHC traz à memória a artimanha da UDN ao seguir os passos de Afonso
Arinos de Melo Franco, que, em 1955, contestou a vitória de Juscelino
Kubitschek, com o argumento, não previsto em lei, de que o vitorioso não
alcançara a maioria. Perdeu.
Em 2005, após o estouro do chamado mensalão, Fernando Henrique lançou a
proposta de que Lula não deveria mais disputar a reeleição. Outras vozes
seguiram esse caminho. Sem sucesso. Em 2006, Lula disputou e ganhou do tucano
Geraldo Alckmin. Na eleição seguinte, em 2010, o PT elegeu Dilma.
Entre os tucanos o papel de cada um está claro. Aécio espreita o caso
Petrobras. FHC tenta debilitar a vitória de Dilma. Apesar disso, a razão, agora
sim, diz que não passarão.
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