É Dilma subindo, os outros caindo
e o rancor de Freire
A presidente petista Dilma Rousseff subiu mais 8 degraus no
Ibope, foi a 38% das intenções de voto, e abriu 22 pontos de vantagem sobre a
segunda colocada, Marina Silva (sem partido), que caiu de 22 para 16%. Na nova
pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira, só a presidente subiu, todos os
outros candidatos caíram. Aécio Neves (PSDB) foi de 13 para 11% e, Eduardo
Campos, caiu de 5 para 4%.
No mesmo dia, Dilma recebeu outras duas boas notícias, que devem
se refletir positivamente nas próximas pesquisas: a taxa de desemprego caiu
para 5,3%, a menor do ano, e a renda média dos trabalhadores subiu 1,7% em
agosto.
Enquanto isso, a rede nacional de televisão foi ocupada durante
10 minutos pelo PPS de Roberto Freire para denunciar, mais uma vez, que os
governos petistas estão acabando com o país. Carregado de rancor, o programa
parecia uma novela de época dos tempos da Guerra Fria, que fez lembrar a imagem
assustadora das viúvas globais fantasiadas de negros fantasmas após o voto do
ministro Celso de Mello a favor dos embargos infringentes na semana passada.
A impressão que me deu é que o programa foi gravado há mais
tempo e estava na gaveta aguardando o momento oportuno para ir ao ar. O
proprietário do PPS, velha linha auxiliar do PSDB, caminhando para a
irrelevância, certamente não poderia ter escolhido dia melhor. Pena que os
fatos não o tenham ajudado.
Após as manifestações de protesto de junho e o julgamento do
mensalão, Freire deve ter avaliado com o seu estado-maior que Dilma e o PT
estavam no chão, e chegara a hora de soltar os seus canhões, já um tanto
desgastados pelo tempo. Sem noção do seu tamanho, acreditando no espaço que a
mídia sempre lhe deu, na proporção inversa da sua importância política, Roberto
Freire chegou a ser candidato a presidente da República, em 1989, quando foi
contemplado com 1,06% dos votos
Com seu conhecido senso de oportunidade, carisma,
simpatia e sofisticada estratégia política, o dono do PPS, partido
que ele fundou em 1992 para substituir o antigo Partido Comunista
Brasileiro, e preside até hoje, deputado federal eleito por José Serra em
São Paulo, em 2010, Freire escolheu como assistente de palco Stepan Nercessian,
ator reserva do segundo time da Globo. Até Soninha Francine (lembram-se dela?),
agora sem mandato e sem uma boquinha, deu uma aparecida. O resto nem sei quem
é.
Freire entoou o discurso "ético", bufando contra
a inflação, os desmandos administrativos e a corrupção, mas só se esqueceu
que o artista convidado para ser o âncora do programa, também deputado
federal, foi acusado no ano passado de ter pedido e recebido R$ 175 mil do
notório bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que não o impediu de caprichar no
sorriso sarcástico para atacar Dilma e o PT. Na época, o ator
deputado garantiu que devolveu o dinheiro, o caso foi arquivado e não se falou
mais no assunto.
Memória e coerência não são o forte desse pessoal. Ainda
esta semana, o jornalista Sebastião Nery lembrou em sua coluna que o
"comunista de carteirinha" Roberto Freire fora nomeado para seu
primeiro cargo público, o de procurador do Incra, no Recife, pelo general
Médici, no auge da repressão dos anos 1970.
Este ano, Freire ensaiou, primeiro, uma aliança com Eduardo
Campos. Depois, tentou fazer a fusão do seu partido com o PMN para criar o MD
(Movimento Democrático) com o objetivo de abrigar uma nova candidatura
presidencial do parceiro José Serra, que até hoje não decidiu o que pretende
fazer da vida. Sempre em negociações, o führer do PPS também ofereceu a sigla a
Marina Silva, que até agora não conseguiu viabilizar sua Rede da
Sustentabilidade, seja lá o que isso quer dizer. Sendo contra o PT, para
Freire, qualquer candidato serve.
Na salada de siglas da política brasileira, que ganhou mais duas
esta semana, chegando a 32, o PPS ocupa atualmente o 13º lugar no ranking,
atrás do PCdoB, com 12 deputados e R$ 8 milhões do Fundo Partidário para gastar
este ano, sem falar nos seus valorizados minutos na televisão, que Freire
pode destinar a quem quiser, dependendo da conversa. Na próxima semana, quando
se encerra o prazo para filiações e criação de novos partidos, saberemos
finalmente em qual onda o PPS vai surfar desta vez.
Já escrevi aqui outro dia e repito: com estes candidatos e esta
oposição, Dilma corre o risco de ganhar as eleições do próximo ano por WO.
Fonte: Balaio do Kotscho

Nenhum comentário:
Postar um comentário