JUSTIÇA DO PARÁ ACEITA DENÚNCIA
CONTRA GERENTE DA FAZENDA DE DANTAS
O zé da Justiça ainda não federalizou a investigação.
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O Ministério Público denunciou, e o juiz Celso Gusmão, da Comarca de São Félix do Xingu (PA), aceitou a denúncia contra o gerente da fazenda Vale do Triunfo, José Geraldo Putin.
O gerente é acusado de ser o mandante do assassinato de Webert Costa, 24, morto em julho na fazenda que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, controlada pelo Grupo Opportunity de Daniel Dantas.
(Clique aqui para ler “PHA e Klouri não se cansam de bater em Dantas.)
Webert foi morto na portaria da fazenda no dia 24 de junho, ao cobrar uma dívida trabalhista.
O executor do crime, Divo Ferreira, 45, e seu cúmplice, Maciel Nascimento, 31, já estavam presos por conta do assassinato e da ocultação do cadáver.
A polícia de São Félix do Xingu tinha dado o caso por encerrado, uma vez que não foi possível identificar os mandantes no crime.
Na versão da família, depois de meses a cobrar da empresa, o gerente da fazenda, José Geraldo Putin, teria dito a Webert que faria o acerto da dívida trabalhista em duas parcelas.
Ainda segundo os familiares, no dia 24, Webert foi à fazenda a pedido da própria gerência, para se encontrar com José Geraldo.
A mãe de Webert, dona Rosária, pediu ao filho não ir, já que o próprio Webert havia relatado à família um caso de execução na fazenda, que ele mesmo teria presenciado.
De acordo com o depoimento de Webert à mãe, casos assim eram comuns na região.
Ao chegar na portaria da fazenda, Webert foi barrado pelo vigilante Adriano Vieira.
Conforme relatou em seu depoimento – a que o Conversa Afiada teve acesso – Adriano barrou a entrada de Webert seguindo ordens do auxiliar-administrativo Fabrício Pereira Pamplona, duas semanas antes.
Em depoimento, Fabrício Pamplona disse que, ao ser comunicado pelo rádio da chegada de Webert, orientou o vigia Adriano para informar ao gerente José Geraldo sobre a presença de Webert na portaria.
Foi o que Adriano fez, conforme o seu depoimento. Pediu orientação à gerência pelo rádio e, pelo rádio: “alguém deu a ordem para que Divo Ferreira fosse resolver o problema”, consta no depoimento.
Alguém, quem?
Isso, o depoimento não responde.
Contudo, na denúncia do Procurador Allan Pierre Chaves Rocha, essa voz ganha dono: era de José Geraldo Putin.
O assassinato virou tema de uma Comissão Externa formada a pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves.
A Comissão esteve em São Félix onde colheu depoimentos de populares e se deparou com uma série de outras denúncias de violência na região.
Muitas fazem referência a um lago de 2 quilômetros de extensão chamado “Justa Causa”, onde corpos de vítimas de crimes parecidos com o de Webert – crimes por causa de dívida trabalhista – supostamente seriam ocultados.
Segundo o Deputado Protógenes (PCdoB -SP), relator da Comissão Externa, a Polícia Civil da região não tem aparato técnico para investigar esses casos.
A região tem dezenas de hectares de mata fechada e, no caso desse lago, por exemplo, seriam necessárias equipes de mergulhadores.
Por isso, a Comissão pediu ao Ministério da Justiça para que o assassinato de Webert fosse federalizado, ou seja, passasse à jurisdição da Polícia Federal.
Conforme noticiou o Conversa Afiada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso (aqui também chamado de zé da Justiça – PHA), recebeu o ofício do deputado Protógenes no dia 24 de setembro, mas até agora, não houve qualquer resposta ao pedido além de um lacônico “recebido”.
Murilo H. Silva, editor do Conversa Afiada
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