Em seu Facebook, Jean Wyllys, via DCM em 4/9/2015, trata de um caso de
charlatanismo religioso que foi dar nos tribunais.
O Tribunal de Justiça do
Estado do Rio Grande do Sul (TJRS) condenou a Igreja Universal do Reino de Deus
a indenizar, em 300 mil reais, um portador de HIV/AIDS que foi induzido a
interromper o tratamento para que fosse, então, curado pela fé. Além de interromper
o tratamento, foi convencido a entregar valores e, pasmem, a deixar de usar
qualquer forma de proteção ao fazer sexo com sua esposa como uma prova de sua
fé. Hoje ela também é portadora do vírus!
A recusa do tratamento
médico em prol da fé agravou muito seu estado de saúde. Exames médicos
confirmam a rápida piora em seu quadro a partir de 2009, quando começou a
frequentar os cultos. Nesta época, chegou a ficar 40 dias internado em coma
induzido.
O charlatanismo
travestido de fé é uma grave ameaça à saúde pública, e os órgãos públicos de
saúde jamais se posicionam contra a ação destas pessoas. É preocupante perceber
que o próprio Ministério da Saúde sequer tenha empreendido uma campanha de
conscientização contra a oferta destes tipos de tratamento que exigem a
interrupção do tratamento médico.
Recentemente vimos,
também, o Legislativo tentando legalizar os tratamentos de reversão da
homossexualidade empreendidos por grupos religiosos. Tratamentos que já
provocaram grandes escândalos no exterior e que são diretamente responsáveis
por vários suicídios e episódios de exploração sexual.
Há, também, comunidades
terapêuticas ligadas às instituições religiosas que recebem, do governo
federal, recursos destinados ao tratamento compulsório de usuários de drogas. Estas
instituições não oferecem qualquer suporte à saúde mental, não são fiscalizadas
e muito menos contam com acompanhamento médico, oferecendo um tipo de
tratamento laboral que, muitas vezes, coloca pacientes em situação análoga à
escravidão.
Ainda que estas
instituições tenham total liberdade de oferecer tratamentos à base da fé,
capitalizar financeiramente com o sofrimento alheio e impedir que uma pessoa
busque tratamento médico não pode ser entendido como um ato de menor
importância. Há pessoas morrendo à míngua por conta das promessas de cura
inclusive em redes sociais! O Estado também precisa ser responsabilizado por
não conscientizar estas pessoas sobre a importância de jamais abandonar os
tratamentos médicos.

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