Com
público recorde, Papa termina visita às Filipinas e se emociona com relato de
garota
Glyzelle
Palomar, de 12 anos, questionou o motivo de Deus permitir que crianças
inocentes sofram

O penúltimo dia da visita do papa Francisco à Ásia, no domingo, dia 18,
foi marcado por uma missa com recorde de público, discursos contra pobreza e
machismo e um carinho especial às crianças de um continente que assiste à
expansão acelerada do islamismo e de outras religiões, com presença
relativamente tímida de cristãos.
Sob chuva, seis milhões de pessoas acompanharam a celebração campal no
gigantesco Parque Rizal em Manila, capital das Filipinas, terceiro maior país
católico do mundo, onde o líder da Igreja fez um apelo para que os fiéis se
tornem “missionários”. A maior concentração anterior de uma missa católica
antes havia sido durante a visita de João Paulo II, em 1995, às Filipinas:
cinco milhões de fiéis.
— Precisamos ver cada criança como um presente a ser saudado, acarinhado
e protegido. E precisamos cuidar de nossos jovens, não permitindo que lhes seja
roubada a esperança ou que sejam condenados a uma vida nas ruas — afirmou.
CHORO DEPOIS DE RELATO DE CRIANÇA
O discurso de Francisco foi ovacionado pela multidão distribuída por uma
área de cerca de 60 hectares. A atenção dada às dificuldades locais foi
aplaudida pela população de uma nação onde 25 milhões, ou um quarto do total,
vivem na pobreza.
O Papa chorou ao ouvir o relato de duas crianças que foram tiradas da
rua. Uma delas, Glyzelle Palomar, de 12 anos, questionou a razão de Deus
permitir diversos males aos pequenos.
— Por que Deus permite que miséria, prostituição e drogas aconteçam até mesmo para crianças inocentes? E por que há tão poucos nos ajudando? — perguntou Glyzelle.
Emocionado, Francisco afirmou que não tinha resposta para a questão:
— Só quando somos capazes de chorar nos tornamos capazes de chegar perto
de uma resposta à sua pergunta.
O depoimento dela trouxe também uma crítica indireta à organização de sua visita
ao país. Numa fala improvisada, o Papa afirmou que os homens deveriam ouvir
mais as ideias das mulheres e ser menos machistas. E se disse espantado ao
perceber que, das quatro pessoas selecionadas para falar com ele, apenas uma, a garotinha, era uma mulher. Segundo Francisco, o discurso dela foi o
melhor.

— Há apenas uma pequena representação feminina aqui, muito pequena. As
mulheres têm muito a nos dizer na sociedade atual. Às vezes, nós, os homens,
somos muito machistas. Não damos espaço às mulheres, mas elas são capazes de
ver as coisas por um ângulo diferente do nosso, com um olhar diferente. As
mulheres são capazes de fazer perguntas que nós, os homens, não conseguimos
entender — disse, fazendo a multidão rir. — Quando o próximo papa vier a
Manila, por favor, incluam mais mulheres no seu grupo.
O pontífice afirmou que, embora a proibição da Igreja Católica à
ordenação de mulheres seja definitiva, ele quer promover mais freiras e outras
mulheres a cargos importantes no Vaticano.
A visita de cinco dias ao continente incluiu paradas no Sri Lanka e na
cidade filipina de Tacloban, destruída em 2013 por um tufão que matou cerca de
oito mil pessoas. Depois de celebrar missa campal na localidade, Francisco
rapidamente seguiu para Manila devido aos fortes ventos e chuvas previstos pela
passagem da tempestade tropical Mekkhala.
ANTECIPAÇÃO DA BANDEIRA AMBIENTAL
Numa antecipação a uma das bandeiras que, segundo o Vaticano, devem ser
mais bem desenvolvidas este ano, o Papa também fez um chamado pela preservação
do meio ambiente.
— Deus criou o mundo como um belo jardim e nos pediu que cuidássemos
dele. Por meio do pecado, o homem desfigurou essa beleza natural. E, por meio
do pecado, também destruiu a unidade e a beleza da nossa família humana,
criando estruturas que perpetuam a pobreza, a ignorância e a corrupção —
afirmou, antes de ser muito aplaudido pela multidão em Manila.
Fonte: http://oglobo.globo.com
ATENÇÃO:
as palavras na cor vermelha constam originariamente no texto, mas os destaques
são deste BLOGUEIRO.
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