E agora José?
por Magno Francisco |
Filósofo e
professor da Universidade Federal de Alagoas - UFAL
A vitória da presidente Dilma
Rousseff (PT) contra o candidato Aécio Neves (PSDB) representou uma derrota
para os planos do imperialismo estadunidense na América Latina e para as elites
reacionárias do país.
Com o cenário de crise econômica do
capitalismo e a disputa interimperialista por novos mercados, a vitória de
Aécio significaria para o presidente estadunidense Barack Obama ter um aliado
fiel para ampliar suas área de influência na América Latina e desestabilizar
governos democraticamente eleitos.
A candidatura do PSDB uniu os setores
reacionários do Brasil, que desenvolveram uma campanha de caráter fascista,
expressando o seu ódio contra os pobres, negros, gays e nordestinos.
Na verdade, esta proposta de separar
o Brasil entre Sul/Sudeste e Norte/Nordeste, tem a clara intenção de escamotear
os interesses de classe das elites conservadoras do Brasil, escolhendo alvos
para destilar seu veneno na tentativa de desqualificar a vitória do governo.
É necessário registrar que a vitória
de Dilma Rousseff não seria possível sem o papel destacado da militância que
foi as ruas dialogar com a população e desenvolver a campanha. A vitória de
Dilma no segundo turno se deve também em grande medida ao engajamento da esquerda
revolucionária, como o PCR, Unidade Popular, Polo Prestistas e setores do PSOL.
Juntos deram uma qualidade a candidatura de Dilma que não existia no primeiro
turno.
Apesar desta importante vitória
contra a extrema direita, os próximos dias serão difíceis para os
trabalhadores. A economia vive um momento de estagnação e a burguesia fará
ainda mais pressão sobre o governo para aumentar seus lucros e explorar mais
ainda os trabalhadores.
Desta maneira, os movimentos sociais,
os sindicatos, as centrais sindicais, devem desenvolver uma grande pressão
popular para que as pautas dos trabalhadores sejam atendidas e conquistas sejam
obtidas.
É importante lembrar que, apesar da
vitória de Dilma, o PT saiu desta eleição menor do que entrou, com menos
parlamentares eleitos e também com uma diminuição da sua base aliada. Assim, a
oposição de direita cresceu, inclusive ampliando as bancadas mais
conservadoras, como a bancada policial e ruralista.
Além disto, o PMDB, principal partido
da base aliada do governo, que tem o vice-presidente do país, Michel Temer,
tudo fará para impedir mais avanços, como deixou claro ao liderar na câmara dos
deputados o veto ao decreto da presidente Dilma que regulamentava o
funcionamento dos conselhos populares.
Derrotar o PSDB nesta eleição foi uma
importante vitória para os trabalhadores, porém ainda não foi a derrota
definitiva da extrema-direita. A principal tarefa política do proletariado é
fortalecer o campo antifascista e trabalhar para impedir o avanço das forças
reacionárias no Brasil. Esta é uma batalha que será decidida nas ruas e eu
aposto na vitória das forças populares.

Nenhum comentário:
Postar um comentário