Mario Quintana...”eu ouço música...”

Eu ouço música
como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...
Eu ouço música como
quem está morto
e sente
já um profundo
desconforto
de me verem
ainda neste mundo de cá...
quem está morto
e sente
já um profundo
desconforto
de me verem
ainda neste mundo de cá...
Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!
Eu ouço música
como um anjo doente
que não pode voar.
maestros,
meu estranho ar!
Eu ouço música
como um anjo doente
que não pode voar.
Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de
1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de Virgínia
de Miranda Quintana. Aos sete anos de idade, auxiliado pelos pais, aprendeu
a ler tendo como cartilha o jornal “Correio do Povo”. Seus pais
ensinaram-lhe, também, rudimentos do idioma francês.
Em 1915, ainda em Alegrete, frequentou
a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde concluiu o curso
primário. Na época trabalhou na farmácia da família.
O pai de Quintana faleceu em 1927. A revista Para Todos, do Rio
de Janeiro, publica um poema de sua autoria, por iniciativa do cronista Álvaro Moreyra, diretor
da citada publicação.
"Olho em redor do bar em
que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início
das eras. Pensa que está somente afogando problemas
dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar
inquietação do mundo!"
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início
das eras. Pensa que está somente afogando problemas
dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar
inquietação do mundo!"
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