Com seu filho empregado
na Globo, JB fica moralmente impedido de julgar coisas relativas à Globo.
JB com
João Roberto Marinho num prêmio que o Globo lhe ofereceu
Devem imaginar que nós
somos idiotas, a Globo e Joaquim Barbosa.
Não há outra explicação.
Como
pode a Globo dar emprego ao filho de JB? E como JB pode deixar que isso ocorra?
Neste
exato momento, a Globo enfrenta uma questão multimilionária na Receita Federal.
Documentos vazados – demorou para que isso ocorresse – por alguém da Receita
contaram uma história escabrosa.
Os
documentos revelam, usemos a palavra certa, uma trapaça. Com o uso de um
paraíso fiscal, a Globo fingiu que estava fazendo uma coisa quando comprava os
direitos de transmissão da Copa de 2002.
A
Globo admitiu a multa que recebeu da Receita. E em nota alegou ter quitado a
dívida.
Mas a
fonte da Receita disse que não é verdade. E pelo blog O Cafezinho, que trouxe o
escândalo, desafiou
a Globo a mostrar o recibo.
Apenas
para constar.
O
dinheiro que a Globo não recolheu constrói escolas, hospitais, portos,
aeroportos etc, etc.
Mas,
não pago, ele termina na conta dos acionistas.
Foi,
além do mais, usado um paraíso fiscal, coisa que está dando prisão na Europa hoje
em dia.
Isto
tudo posto, vamos supor que uma questão dessas termine no STF.
Qual a
isenção de JB para julgar?
É uma empresa amiga:
emprega o filho dele.
Dá para julgar?
E a sociedade, como
fica?
Gosto
de citar um dos maiores jornalistas da história, Joe Pulitzer. Às equipes que
chefiei, citava exaustivamente uma frase que é vital para o exercício do bom
jornalismo.
“Jornalista
não tem amigo”, escreveu Pulitzer.
O que
Pulitzer dizia: se você tem amigos, você não vai tratá-los com a neutralidade
devida como repórter ou editor.
A
Globo está cheia de amigos, e esta é uma das razões pelas quais seu jornalismo é tão viciado – e
seus donos tão ricos.
Mas as
amizades de JB são ainda mais preocupantes, dado o cargo que ele ocupa.
A
Justiça brasileira é um problema dramático. Recentemente, os brasileiros
souberam das estreitas relações entre o ministro Fux, também do Supremo, e um
dos maiores escritórios de advocacia do Rio.
Sua filha, advogada, é
empregada deste escritório. Como Fux pode julgar uma causa deste escritório?
Não pode.
Há um
claro conflito de interesses.
O
mesmo vale para Joaquim Barbosa.
Quem
acredita que ele não enxergou o conflito de interesses no emprego dado a seu filho na Globo
acredita em tudo.
É um
caso tão indefensável que a Globo, inicialmente, negou a informação, obtida
pela jornalista Keila Jimenez, da Folha. Procurada, a Globo, diz a Folha, negou
a contratação. Disse que o filho de JB fora “apenas fazer uma visita ao Projac.
Só
depois admitiu.
É uma
história particularmente revoltante quando se lembra a severidade com que JB comandou o julgamento do
Mensalão.
Ele
fez pose de Catão com suas catilinárias anticorrupção, e impressionou muitos
brasileiros que podem ser catalogados na faixa dos inocentes úteis.
Mas se
fosse Catão não
permitiria que seu filho trabalhasse na Globo. Não pagaria – como
revelou o Diário – com dinheiro público a viagem de uma jornalista do Globo
para uma viagem de completa irrelevância para a Costa Rica, apenas para obter
cobertura positiva do jornal.
Não
usaria, como se soube agora, recursos públicos para ver um jogo do Brasil num
camarote de apresentadores – claro – da Globo.
E
provavelmente Catão também jamais gastasse o equivalente a 90 000 reais, em
dinheiro do contribuinte, para uma reforma.
Joaquim Barbosa não tem autoridade moral
para ocupar o cargo que ocupa: infelizmente os fatos são claros.
Ele é
um drama, uma calamidade nacional.
Sêneca
dizia que era mais fácil começar uma coisa errada do que depois resolvê-la.
A
nomeação de JB por Lula – que procurava um juiz negro para o Supremo — foi um erro
monumental.
Resolvê-lo
agora é uma enorme, uma trágica dificuldade.
ATENÇÃO: as palavras em destaques
e na cor vermelha são deste BLOGUEIRO.

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