
O peso dos militares no governo Bolsonaro
Por Vilma Bokany*
Os militares estão distantes da política desde o final da
ditadura, mas no novo governo de Jair Bolsonaro terão papel fundamental. Além
do vice-presidente, general Hamilton Mourão, até o momento cinco militares
foram escalados para ocupar Ministérios em setores chave do futuro governo.
O general da reserva
Augusto Heleno deverá orientar o braço de segurança do governo, assumindo o
Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que além de zelar pela segurança
pessoal do presidente pretende fortalecer a Agência Brasileira de Inteligência
(ABIN), responsável por análises estratégicas e informações relativas à
segurança do Estado, relações exteriores e defesa externa. Além de comandante
militar, com sólida carreira no Exército, general Heleno chefiou a paste de
Ciência e Tecnologia e missões de paz da ONU no Haiti, entre junho de 2004 e
setembro de 2005.
O ex-chefe do Estado Maior
general Fernando Azevedo e Silva, atualmente assessor do presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, por sugestão do comandante do Exército
general Eduardo Villas Boas, foi nomeado para o Ministério da Defesa. Fernando
Azevedo e Silva não possui experiência jurídica, mas ajudou na formulação de
propostas para a campanha e conhece Bolsonaro de longa data. Foi escolhido para
o Ministério da Defesa devido ao seu trânsito entre os três poderes da
República, uma vez que já ocupou cargos no Executivo e nas Forças Armadas. Quem
irá substituí-lo como assessor de Toffoli no STF é o general da reserva Ajax
Porto, também indicado pelo general Villas Boas.
A área de articulação
política será comandada por Onyx Lorenzoni, como Ministro da Casa Civil, mas
terá o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz na Secretaria de
Governo, que apesar do nome de secretaria tem status de Ministério. O cargo
exige bom trânsito junto a parlamentares e capacidade de articulações do
governo com o Congresso. A princípio, a Secretaria de Governo seria suprimida,
com a permanência do cargo e a nova indicação os poderes de Onyx Lorenzoni na
articulação tendem a ser reduzidos. Bolsonaro garante que o principal
responsável pela articulação do governo com o Congresso será o Ministério da
Casa Civil e que a Secretaria de Governo, além da articulação política, será
responsável por cuidar da agenda presidencial.
Carlos Alberto dos Santos
Cruz já havia sido cotado para integrar o Ministério da Justiça de Sérgio Moro
e até agora vinha atuando como um dos conselheiros de Bolsonaro na transição. É
um dos nomes do governo atual a ser absorvido no novo governo, tendo chefiado a
Secretaria Nacional de Segurança Pública durante parte da gestão Temer.
Comandou as missões de paz da ONU no Haiti (2007 a 2009) e na República
Democrática do Congo (2013 a 2015) e foi consultor da Organização das Nações
Unidas (ONU) em razão de sua participação nas missões de paz. Liderou missões
internacionais da embaixada do Brasil em Moscou, na Rússia, entre 2001 e 2002 e
atuou como conselheiro do Banco Mundial para o Relatório de Desenvolvimento
Mundial de 2011.
Outros ministérios a serem
ocupados por militares é o de Ciência e Tecnologia e o da Infraestrutura. O da
Ciência e Tecnologia terá como comandante o tenente-coronel e astronauta Marcos
Pontes, cotado anteriormente como vice na chapa de Bolsonaro. Pontes não tem
qualquer experiência política ou administrativa e deve enfrentar desafios
complexos frente à restrição orçamentária para os programas de pasta.
Para o Ministério da
Infraestrutura, que ficará com a estrutura do atual Ministério dos Transportes,
Portos e Aviação Civil, Bolsonaro nomeou Tarcísio Gomes de Freitas, que iniciou
a carreira no Exército, foi chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia
do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti,
coordenador-geral de Auditoria da Área de Transportes da Controladoria-Geral da
União (CGU) e ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes (DNIT).
Além de comandar um terço
dos quinze ministérios previstos, os militares devem ocupar também posições
importantes do segundo escalão do novo governo. Para a Secretaria Geral da Presidência,
que será chefiada por dois braços direitos de Bolsonaro durante a campanha, o
ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno, o general da reserva Floriano Peixoto
Vieira Neto, foi nomeado como responsável pelos contratos de publicidades,
considerada posição estratégica no governo federal.
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Vilma Bokany é escritora.

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