Stephen
Hawking explica por que Deus não existe

O cientista Stephen Hawking
Deus existe? Há
vida inteligente fora da Terra? É possível prever o futuro? E fazer uma viagem
no tempo? Sobreviveremos no nosso planeta? A inteligência artificial vai nos
superar? Em livro póstumo, Stephen Hawking responde essas e outras questões
Por Rodrigo Casarin, BLOG Página Cinco
Respostas para essas perguntas nada
fáceis que Stephen Hawking nos oferece em
“Breves Respostas Para Grandes Questões”, livro póstumo que acaba de chegar às
livrarias pela Intrínseca.
Hawking, que morreu no último mês de
março aos 76 anos, foi um dos pesquisadores mais respeitados e conhecidos de
nossa história recente.
Dominando a matemática, a física e a
cosmologia, preocupou-se em não deixar seu conhecimento limitado à academia e
atingiu o grande público ao lançar obras como “Uma Breve História do Tempo” e
“O Universo Numa Casca de Noz”.
“A maioria das pessoas acredita que
ciência de verdade é difícil e complicada demais. Não concordo com isso.
Pesquisar sobre as leis fundamentais que governam o universo exigiria uma
disponibilidade de tempo que a maioria não tem; o mundo acabaria parando se
todos tentassem estudar física teórica. Mas a maioria pode compreender e
apreciar as ideias básicas, se forem apresentadas de maneira clara e sem
equações, algo que acredito ser possível e que sempre gostei de fazer”, escreve
o cientista.
Hawking segue essa linha de divulgação
científica para leigos em “Breves Respostas Para Grandes Questões”, que reúne
um material descoberto em seus arquivos logo após sua morte.
Quem tem o livro em mãos só não deve
achar, no entanto, que as respostas breves do autor se limitem a poucos
parágrafos – estamos diante de temas que rendem pesquisas profundas, que muitas
vezes chegam a conclusões ou possibilidades diferentes, vale lembrar.
Para falar a respeito da existência ou
não de algum deus, por exemplo, ao longo de 12 páginas o cientista passa por
questões de linguagem, pelas leis da natureza, equações científicas básicas e
dá uma aula sobre energia negativa que eu não me meterei a reproduzir, tudo
para embasar o parecer.
Passa ainda pela história, lembrando
que a ciência explicou quase todos os fenômenos anteriormente atribuídos a
divindades, restando apenas o momento da criação do universo como um cantinho
onde algum deus ainda poderia estar escondido.
“As leis da natureza nos dizem que não
só o universo pode ter surgido sem ajuda, como um próton, e não ter exigido
nada em termos de energia, como também é possível que nada tenha causado o Big
Bang. Nada. […] À medida que viajamos de volta no tempo em direção ao momento
do Big Bang, o universo fica cada vez menor e continua diminuindo até
finalmente chegar a um ponto em que se torna um espaço tão ínfimo que na
verdade se trata de um único buraco negro infinitesimalmente pequeno e denso.
E, assim como acontece com os buracos negros que hoje flutuam pelo espaço, as
leis da natureza ditam algo verdadeiramente extraordinário. Elas nos dizem que
aí também o próprio tempo tem que parar. Não podemos voltar a um tempo anterior
ao Big Bang porque não havia tempo antes do Big Bang. Finalmente encontramos
algo que não possui uma causa, porque não havia tempo para permitir a
existência de uma. Para mim, isso significa que não existe a possibilidade de
um criador, porque ainda não existia o tempo para que nele houvesse um criador”, escreve Hawking, que depois deixa sua
posição ainda mais clara:
“Quando me perguntam se um deus criou o
universo, digo que a pergunta em si não faz sentido. O tempo não existia antes
do Big Bang, assim não existe tempo no qual deus produziu o universo. É como
perguntar onde fica a borda da Terra. A Terra é uma esfera e não tem borda;
procurá-la é um exercício fútil. […] Se eu tenho fé? Cada um é livre para
acreditar no que quiser. Na minha opinião, a explicação mais simples é que deus
não existe. Ninguém criou o universo e ninguém governa nosso destino. Isso me
levou a perceber uma implicação profunda: provavelmente não há céu nem um
além-túmulo. Acho que acreditar em vida após a morte não passa de ilusão. Não
existe evidência confiável disso e a ideia vai contra tudo que sabemos em
ciência. Acho que, quando morremos, voltamos ao pó. Mas, em certo sentido,
continuamos a viver: na influência que deixamos, nos genes que passamos adiante
para nossos filhos. Temos apenas esta vida para apreciar o grande plano do
universo, e sou extremamente grato por isso”.
Dentre os muitos momentos interessantes
do livro, também merece destaque a resposta que Hawking dá para a pergunta
“Qual é a maior ameaça ao futuro do planeta?”.
Para ele, a mudança climática
descontrolada deveria ser nossa principal preocupação para que o mundo não vire
um forno.
“Uma elevação na temperatura do oceano
derreteria as calotas polares e causaria a liberação de grandes quantidades de
dióxido de carbono. Ambos os efeitos poderiam deixar nosso clima como o de
Vênus, mas com uma temperatura de 250ºC”. Fica mais esse alerta para quem acha
que aquecimento global é uma mentira – ou que é mera vontade de deus.
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