O exemplo de Eduardo Suplicy – Um petista insólito nas ruas de São Paulopor
Nos últimos meses um petista insólito cruzou os espaços urbanos de São
Paulo. Ele foi detido pela PM mais de uma vez, esteve ao alcance de riscos
diversos, como o de ser alvejado pelas pérfidas balas de borracha. Nos diversos
confrontos em que se fez presente, foi atingido por spray de pimenta, recebeu
ameaça de ser surrado com cassetete, foi arrastado, discutiu com PMs e levou
empurrões.
Sem dúvida, o fato mais significativo da esquerda nos últimos meses foi
a presença constante de Suplicy no front das lutas populares em São Paulo. Ele
enfrentou a polícia, combateu ao lado dos viciados em crack, dos sem teto e dos
despejados. Não é pouco.
E agora foi eleito com uma votação consagradora, como o vereador mais
votado do país, com mais de 300 mil votos. Isso prova que a esquerda está morta
ou combalida? De forma nenhuma. Isso prova que o político de esquerda,
escondido em seu gabinete, eternamente de terno, transportado por chofer em
carro blindado, instalado longe dos riscos físicos, incapaz de pôr o corpo à
prova, isto é, o político burocrata de esquerda, está morto.
Nem o Judiciário, nem a mídia, nem Sérgio Moro nem o STF, conseguiram
privar Eduardo Suplicy dos votos que merecia. O espírito de burocracia do PT
fez muita gente rir quando soube que ele seria candidato a vereador. Foi uma
surpresa hilária.
Como? De ex-Senador para candidato à vereador? Muita gente ficou entre
perplexa e divertida com a notícia. Mas, o fato, é que por si só, essa salto
mortal da cúpula do senado ao subsolo da vereança, já deu muito o que pensar.
O que a recente trajetória meteórica (para baixo e para cima) de Suplicy
prova? Que o PT não morreu para seu verdadeiro eleitorado, ao contrário. Esse
eleitorado está clamando pelo PT. Mas não o PT, ou a esquerda burocrática e
presunçosa, desfilando seu poder em carros oficiais, mas a esquerda de mangas
arregaçadas e efetivamente ao lado dos pobres nos momentos de confronto.
Esse PT que está sendo demandado, não é um PT que nunca existiu. É, ao
contrário, o PT que deu origem ao PT das grandes vitórias e que, depois,
exatamente por sentir-se tão vitorioso, se afastou das ruas e se trancou nos
gabinetes.
Colocar a questão de vitória ou derrota, de fim possível do PT, nos
termos que fazem os analistas da Globo, nos seus comentários nauseantes e
vazios, é seguir a cartilha da mídia, que só compreende a realidade pelo
positivismo mais pedestre. Eles só reconhecem fatos, mas não sabem ler
tendências.
Quem se restringir ao
modelo de análise da Globo, vai contar prefeituras e vereadores, pode chegar a
conclusões muito óbvias com os dados disponíveis – “O PT perdeu em quatro anos
mais da metade das prefeituras...” – mas não pensará a política. Fora do ópio
da Globo, fica claro que o PT perdeu, mas que essa derrota pode ter sido a
melhor coisa que aconteceu a essa partido nos últimos 25 anos.
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