
por
Érico
Abreu
Paulo
Marcelo Braga
Miguel
Alves
Era apenas um compositor latino-americano, sem dinheiro no banco, sem
parentes importantes.
Morreu quase esquecido.
Em suas canções, de letras enormes, falava de coisas que não agradavam, nem a cariocas, nem a baianos. Menos ainda a paulistas.
- Nada é divino, nada é maravilhoso.
Em suas canções, de letras enormes, falava de coisas que não agradavam, nem a cariocas, nem a baianos. Menos ainda a paulistas.
- Nada é divino, nada é maravilhoso.
Seu canto torto, afiado, doía na carne da nossa geração, pós-Beatles,
incumbida da triste tarefa de voltar à realidade e constatar: O sonho
acabou.
E Belchior concluía: Quem nos deu a ideia de uma nova
consciência havia traído a causa. Estava em casa, guardado por Deus, contando o
vil metal.
Ninguém gostava de ouvir isso. Só o grande público que comprava seus discos e Elis. Ela, só ela, no meio musical, percebeu a honestidade na música de Belchior. Gravou um álbum quase inteiro com as canções do compositor cearense. Deu vida e sobrevida a um artista que o mainstream apenas suportava.
A geração anterior, agora no poder, na direção das gravadoras e emissoras de rádio e televisão, não queria ouvir. Mas o rapaz de bigode a la Dali, insistente, fazia questão de lembrar: "Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais".
Sempre desobedecer, nunca reverenciar. Vocês esqueceram, repetia.
O rapaz esquisito que vinha do Ceará, não cantava forró, nem falava de seca ou fome, mas do vazio que habitava o coração dos jovens nas grandes metrópoles após os anos sessenta. O vazio que, sabemos hoje, foi preenchido pelo consumo e pelas drogas. Estas esvaziadas da consciência cósmica.
O sonho acabou faz muito tempo.
Ninguém gostava de ouvir isso. Só o grande público que comprava seus discos e Elis. Ela, só ela, no meio musical, percebeu a honestidade na música de Belchior. Gravou um álbum quase inteiro com as canções do compositor cearense. Deu vida e sobrevida a um artista que o mainstream apenas suportava.
A geração anterior, agora no poder, na direção das gravadoras e emissoras de rádio e televisão, não queria ouvir. Mas o rapaz de bigode a la Dali, insistente, fazia questão de lembrar: "Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais".
Sempre desobedecer, nunca reverenciar. Vocês esqueceram, repetia.
O rapaz esquisito que vinha do Ceará, não cantava forró, nem falava de seca ou fome, mas do vazio que habitava o coração dos jovens nas grandes metrópoles após os anos sessenta. O vazio que, sabemos hoje, foi preenchido pelo consumo e pelas drogas. Estas esvaziadas da consciência cósmica.
O sonho acabou faz muito tempo.
Sei que tudo é
proibido(…)E eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém. Mas não
se preocupe, meu amigo, com os horrores que eu lhe digo, isso é somente uma
canção. A vida realmente é diferente, quero dizer: a vida é muito pior…
Há perigo na esquina.
Eles venceram e o sinal
está fechado pra nós…
Eles venceram e o sinal
está fechado pra nós…
“Eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde
Eu quero o corpo, tenho pressa de viver”
“Tudo poderia ter mudado, sim
Pelo trabalho que fizemos - tu e eu
Mas o dinheiro é cruel
E um vento forte levou os amigos
Para longe das conversas, dos cafés e dos
abrigos”
“Capineiro de meu pai
Não me cortes meus cabelos
Minha mãe me penteou
Minha madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira”
Que o passarim
beliscou
Quem não ouviu nem gostou de Belchior nem sequer
sonhou.
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