Desistam: Temer não vai renunciar. Ele perderia o
foro privilegiado para se defender do que é claramente indefensável
por Maurício Dias
O impacto das
revelações contidas na primeira delação premiada de um executivo da Odebrecht, provavelmente
a primeira de muitas derivadas dessa empreiteira, tornou-se a razão mais forte
para Michel Temer preferir morrer duro a perder a pose.
Sem o resguardo do foro privilegiado, Temer
ficaria à mercê da Justiça comum, onde então passaria a se defender.
É ruim perder o foro privilegiado no Supremo
Tribunal Federal, com uma espada ameaçadora sobre o pescoço.
Por isso ele não vai
renunciar, como supõem os esperançosos mais precipitados, compreensivelmente
reanimados por pesquisas recentes mostrando números que apontam o caminho tanto
para Temer quanto para o governo dele, ambos já quase liquefeitos, descendo a
ladeira.
As delações formam o rastro de “mãos sujas”,
marcadas por propinas e coisas semelhantes, e pode ser seguido até as salas
mais importantes do governo, como, por exemplo, a do próprio presidente.
Temer, pressionado por várias razões, está
acuado.
Os números do Datafolha são claramente
perturbadores para ele. Registre-se que o campo de apuração da pesquisa foi
realizado entre 7 e 8 de dezembro. Antes, portanto, das revelações de Cláudio
Melo Filho, diretor de Relações Institucionais da Odebrecht.
Tendo como referência a pesquisa de julho do
mesmo instituto, é possível perceber que, de lá para cá, nuvens sombrias se
formaram sobre este governo surgido de um golpe parlamentar e doado a um
presidente sem voto popular.
Saltaram de 31% para 51% os que julgam o
presidente “ruim ou péssimo” e,
no lado oposto, o “ótimo ou bom” caiu de 14% para 10%.
Com esse porcentual negativo
de avaliação (10%), a oposição lançou o mote da ingovernabilidade ao som da
marcha fúnebre tocada pela banda de música da mídia.
Como a cabeça do eleitor reagirá ao saber das informações extraídas das 82 páginas da
delação de Cláudio Melo Filho, no capítulo “Relacionamento com Agentes
Públicos”, onde narra os 12 anos de relacionamento no Congresso com a cúpula do
PMDB: Michel Temer, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Renan Calheiros e Moreira
Franco.
– O senador Romero Jucá
(...) é o principal responsável pela arrecadação de recursos (...) “homem de
frente” nas tratativas diretas com agentes particulares.
– Renan Calheiros (...) atuava em regra sob a
representação do senador Romero Jucá (...) Jucá falava em nome dos dois.
– O núcleo político organizado na Câmara dos
Deputados é historicamente liderado por Michel Temer...
– (...) Esse grupo é capitaneado por três
nomes: Temer, Padilha e Moreira Franco.
– Ele (Padilha) atua como verdadeiro
preposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome...
O mais conhecido resultado dessas relações
perigosas entre agentes privados e a cúpula do PMDB ocorreu em maio de 2014,
durante um jantar no Palácio do Jaburu, então residência do vice Michel Temer.
Na presença de Eliseu Padilha, Marcelo
Odebrecht acertou o pagamento de10 milhões de reais para a campanha do PMDB.
Temer
desmentiu em boletim oficial. Marcelo confirmou na delação que fez para a Lava
Jato.
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