
Acabo de receber a noticia do falecimento do companheiro Zarattini com quem tive uma longa e grata amizade e laços políticos de luta e combate.
Conheci Zara na troca do embaixador americano, quando fomos
libertados, mas ele já era um revolucionário de longa data. Fora presidente da
UEE e esteve na linha de frente na luta “O petróleo é Nosso”; combateu o golpe
de 1964, preso em 1968, torturado, fugiu e veio para São Paulo, onde foi preso,
de novo, em abril de 1969.
Foi barbaramente torturado, de novo, agora na cadeira do dragão.
Em Cuba, tive o privilégio de conviver com Zara e aprender com
ele, sempre buscando saídas para nossa luta.
Militou no PCB, PCBR, ALN e TENDÊNCIA LENILISTA.
Em 1974 voltou para o Brasil clandestino e reiniciou a luta;
edita jornais e busca a unidade dos revolucionários. É preso novamente com
Dario Canale, militante comunista italiano, que eu conhecera na década de 1960
na ALN.
Na Constituinte (1988) foi assessor do PT. Trabalhou na
assessoria do PDT e foi eleito suplente de deputado em 2003 pelo PT. Assumiu em
2004 e fiz questão de estar presente na sua posse, já que veio impactar como
assessor na casa civil. No dia de seu aniversário, em 2013, fez um ato político
em apoio aos condenados na AP 470. Um desagravo e um chamado a solidariedade.
Esse era o Zara já então o VELHO como o chamávamos, com
respeito e reverência.
Toda uma bela vida dedicada ao Brasil e ao combate ao
imperialismo como ele fazia questão de destacar.
Sua razão de ser foi a revolução e dedicou todos seus últimos
anos, meses e dias ao PT.
Eu pessoalmente não tenho palavras para expressar minha
gratidão ao Zara, meu amigo e companheiro. Lembro dele em Cuba alegre, sempre
debatendo, estudando, escrevendo, corajoso, mas humilde; Zara era um homem
charmoso e nos envolvia com seu carinho e amizade.
Polêmico, mas sempre buscando a unidade. Já sentia sua falta
pela distância, agora honro sua memória continuando sua luta.
Até mais Zara, é o Zé teu camarada de luta.
José Dirceu
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