Cerca de 1000 leitores veem golpe em marcha e querem reagir
Até a manhã de ontem, o post intitulado “
Você
vai ficar parado assistindo o golpe prosperar?” recebeu cerca de
1000 comentários de leitores de todas as partes do Brasil e também do exterior,
os quais se uniram a este que escreve no entendimento de que os fenômenos que
se produziram no país em junho decorreram de orquestração com fins políticos.
Vale explicar a falta de precisão sobre o número de leitores que apoiam a
teoria da orquestração e o chamamento para que se unam ao Movimento dos Sem
Mídia a fim de elaborar estratégias para enfrentar um movimento de viés
fascista que buscou, desde o primeiro passo, interferir nas eleições do ano que
vem. Não há número fechado porque esse contingente segue crescendo
enquanto este texto se escreve praticamente sozinho.
Antes de prosseguir, porém, é preciso avaliar a importância de um
contingente como esse de cidadãos romper o surto de covardia que se abateu
sobre o país e que tornou
“crime de traição” discordar da nova ordem, a
“ordem
das ruas”, a contaminação fascista que assola o Brasil.
Se um simples blog consegue reunir quase mil pessoas desconfiadas do rumo
dos acontecimentos em pouco mais de um dia, é de se imaginar quanta gente, por
aí, percebe que há um golpe político em andamento.
O mérito da iniciativa desta página, portanto, está sendo o de impedir que a
Onda de protestos sem causa e sem rumo que tomou o país se torne “unanimidade”
da boca das pessoas para fora, pois, como fica claro em incontáveis depoimentos
de leitores no post anterior, quem discorda está sofrendo pressão em seus meios
sociais e profissionais e, nesse processo, sente-se intimidado e coagido a
“mudar” de posição ou a se calar.
Alguns dirão que cerca de 1000 pessoas (até aqui) espalhadas pelo Brasil não
são nada diante de cerca de um milhão que foram às ruas. Contudo, antes deste
post tenho certeza de que nenhuma outra página na internet mostrou tão
claramente como a desconfiança dessas manifestações é um sentimento latente e
sufocado.
Além disso, aqui não se pediu simpatia aos leitores que aderiram ao
chamamento feito, pediu-se engajamento, o que, por certo, limitou a adesão –
além, é claro, do medo de muitos de se exporem a uma discordância que vem se
tornando quase que proibida em meio a um processo catártico que está levando as
pessoas a deixaram de raciocinar e a se tornaram, em boa parte, legitimamente
fascistas ao agredirem, verbal ou fisicamente, quem discorda.
A essas pessoas que aderiram ao chamamento do Blog, informo que já estão
sendo cadastradas com base em seus nomes, cidades e Estados. O primeiro passo,
porém, será varrer o arquivo de comentários para retirar nomes repetidos em
mais de um comentário da mesma pessoa e manifestações que não são de adesão.
Contudo, já se pode dizer que os comentários inadequados à natureza do post
não passam de algumas poucas dezenas em meio a cerca de nove centenas de
adesões.
A partir da primeira lista que for composta, um e-mail coletivo será enviado
e cada pessoa que se manifestou simpaticamente à causa do Movimento dos Sem
Mídia receberá instruções por esse meio.
Em primeiro lugar, será pedido àqueles que não informaram em que cidade e
Estado residem que complementem a informação. Anexada ao e-mail, haverá uma
ficha de inscrição em que serão pedidos dados adicionais, como telefone,
endereço etc., de forma a compor o cadastro do MSM.
O passo seguinte será separar as pessoas de São Paulo de forma a que
participem fisicamente de uma Assembleia que será feita em auditório nesta
cidade em data que será discutida após concluir a tabulação dos dados.
Simultaneamente, pessoas de outros Estados ou mesmo de cidades paulistas
mais distantes da capital que não puderem vir a ela serão instruídas sobre como
poderão ajudar até que em suas regiões tenhamos massa crítica para organizar um
evento similar ao de São Paulo.
Este que escreve está disposto a percorrer o país para organizar o MSM em
outras regiões. Independentemente da política, pois tempos sombrios se fazem
anunciar e quando os olhos e mentes se abrirem pelo menos os que enxergaram
antes já terão se organizado de alguma forma.
Nesse aspecto, há que fazer comentários sobre a pesquisa Datafolha que
mostrou derretimento da popularidade da presidente Dilma Rousseff e que foi
divulgada cerca de 12 horas após a publicação do post em que foi feita a
exortação aos seus leitores para que nos organizemos contra o golpe político em
curso no país.
Nas redes sociais Twitter e Facebook, em comentários aqui no Blog, em
telefonemas e e-mails que recebi, perguntaram-me se tenho bola de cristal, pois
o tom do post de convocação de pessoas assumiu grande sentido diante de uma
queda de aprovação de Dilma que ficou claro que surpreendeu a todos pela sua
profundidade.
Só ficou surpreso, porém, quem não lê este Blog ou, se lê, não acredita
nele. A queda pronunciada de popularidade da presidente já vinha sendo avisada
desde a pesquisa Datafolha anterior, que já mostrava queda de 8 pontos
percentuais e que foi confirmada pelo Ibope.
Em meio à desorientação que se produziu inclusive no partido da presidente
após a divulgação da pesquisa, pois boa parte do PT deu apoio a manifestações
que agora se sabe que foram mais prejudiciais a esse partido do que a qualquer
outro, vão surgindo tentativas de edulcorar a realidade, como comparações com a
perda de popularidade de Lula durante o escândalo do mensalão, em 2005, e
suposições de que “todos os políticos” perderam aprovação.
Não é assim. Marina Silva, por exemplo, se deu muito bem. Sua distância para
Dilma nas pesquisas sobre a sucessão presidencial do ano que vem, ficou pequena
– menos de dez pontos percentuais, em alguns cenários.
Há hoje risco real de o país, ano que vem, eleger
uma presidente que flerta
com o fanatismo religioso e que, além de posições legitimamente de direita –
que se aproximam das do deputado Marco Feliciano, o
presidente homofóbico e
racista da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados –, não tem um
partido político de verdade por trás de si.
Aécio Neves também melhorou um pouco no Datafolha, em alguns cenários. Mas o
mais importante é que os protestos não o afetaram muito. O grande prejuízo,
portanto, foi de Dilma.
Claro que governantes estaduais e municipais de partidos que fazem oposição
ao governo federal, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou o de
Minas Gerais, Antonio Anastasia, também sofreram fortes abalos de popularidade.
Contudo, nenhum deles tinha tanto a perder quanto Dilma, que tinha uma
reeleição quase garantida
O principal problema de Dilma, portanto, não é só o processo de
desmoralização em que foi atirada pelo que este blogueiro e quase mil de seus
leitores afirmam ter sido resultado de orquestração. O problema é que seus
adversários,
ano que vem, terão a mídia a seu favor e, em uma situação como a
atual, esse apoio pode ser decisivo.
A mídia conservadora apoiará qualquer um que esteja mais perto de pôr fim
aos governos do PT. Eduardo Campos, Marina Silva e Aécio Neves terão apoio
contra Dilma. Quem dos três tiver mais chance, será apoiado decididamente por
Globos, Folhas, Vejas e Estadões.
Mas, em verdade, o processo político esquizofrênico em que o país mergulhou
deve, isso sim, ressuscitar José Serra. Com Dilma fraca, o recall (lembrança)
dele se tornou uma arma fortíssima para vencer a sucessão presidencial. Aliás,
esse clima a favor do tucano foi antecipado aqui no post “
Convite
a Serra pra soltar rojão no Roda Morta diz tudo“
.
Pior do que isso: há notícias de que o vice-presidente Michel Temer está
sendo assediado pela oposição para que comece a dar declarações vira-casacas
sobre o governo Dilma, quem alguns oposicionistas mais exaltados e alguns meios
de comunicação sonham em submeter a impeachment. A Temer caberia iniciar o
desmonte das políticas públicas petistas, sobretudo as sociais, antes mesmo de
2015.
Dilma está morta? Lula pode se candidatar em lugar dela?
Bem, Dilma ainda tem aprovação e intenções de voto maiores do que as que
qualquer adversário tem individualmente, e Lula, nas simulações do Datafolha,
aparece quase tão forte quanto de costume. Ou seja: quem acha que o PT está
morto, está se precipitando e a chance de quebrar a cara não é pequena.
Até porque, apesar das negativas que sobrevirão por parte do PT e de membros
do governo Dilma, lembremo-nos de que Lula sempre afirmou que se, por alguma
razão, a sua afilhada política não pudesse enfrentar a sucessão presidencial de
2014, aí, sim, ele poderia voltar.
Se Lula for disputar a sucessão de Dilma, portanto, isso só ocorrerá na
undécima hora da disputa do ano que vem, no prazo limite para apresentação de
candidaturas.
Até lá, o PT, o próprio Lula e todo o governo Dilma negarão até a
morte essa possibilidade, pois, uma vez materializada ou admitida por petistas
e governistas, mataria este governo de vez.
Para animar quem já estiver mortificado, há que lembrar que Lula não precisa
construir sua candidatura. A dele está pronta. Não há brasileiro que não o
conheça e, ao contrário de Dilma, ele mantém laços afetivos com o povo
brasileiro. Só terá que arrumar um meio de justificar a indicação de Dilma em
2010, mas a política permite “explicações” como essa.
Voltando à realidade, há que tocar na questão da economia. Dez entre dez
analistas econômicos já concluem que as manifestações produzirão um baque
econômico de proporção ainda não sabida, mas do qual a mídia oposicionista irá
se aproveitar para espalhar ainda mais o pânico entre os investidores, os
empresários e a população em geral.
O ódio ao PT é tão grande que esses criminosos não se importam de destruir o
país para derrotar o partido.
Eis que o risco-brasil, que norteia empresários e investidores, está em
torno de 180 pontos. Já é o triplo em relação a maio, antes das manifestações.
O real foi a moeda que mais perdeu valor no mundo em junho, pelo mesmo motivo.
A atividade econômica está despencando, até porque o comércio das grandes
cidades sofreu, até agora, mais de R$ 1 bilhão de prejuízos com as depredações
e saques “pacíficos”. Além do que, perdeu incontáveis horas de trabalho. Isso
sem falar nas estradas bloqueadas por manifestantes, o que afetou a produção
industrial.
Um desastre.
O que se teme, após tudo isso, é um recrudescimento do desemprego. Entre o
fim de 2008 e o começo de 2009, quando explodiu a crise internacional, um
número impressionante de empresários promoveu “demissões preventivas” assustado
pela mídia, que dizia que o país iria quebrar. Nesse processo, perderam-se 800
mil postos de trabalho.
Recomenda-se aos eventuais
demitidos que batam à porta do PSOL, do MPL ou de
qualquer outro que incensou esse delírio coletivo que engolfou o país e peçam a
eles um emprego novo…
O quadro não é bonito, meus amigos. Eis o que esses irresponsáveis fizeram
com o Brasil. Estávamos indo bem, a economia estava reagindo, a desigualdade
caindo, o nível de emprego no patamar mais alto da história, os salários
valorizados como nunca…
Não se pude dizer que tudo tenha sido destruído. Mas o que já se perdeu, até
aqui, foi imensurável. E o pior é que continuam tentando manter o incêndio
vivo. Tenho visto até petistas continuando a exaltar o MPL e incentivando mais
manifestações “pacíficas” enquanto se recusam a admitir o erro fatal que foi
apoiar essa loucura.
A grande maioria do PT, de todos os partidos, da mídia, de jornalistas e de
blogueiros sabe que houve uma orquestração do PSOL, acima de qualquer outro.
Mas quase ninguém quer dar a cara a tapa e alguns, por interesse ou por
teimosia, não querem admitir o que vai ficando cada vez mais claro.
O Movimento dos Sem Mídia, para os despertos que frequentam este espaço,
constitui-se em uma boia salva-vidas. Ao menos do ponto de vista moral. Não se
pode deixar que as pessoas sucumbam às pressões sociais que tentam calar
discordâncias. O mais importante, neste momento, é não sucumbir à tentação de
se render.
No momento, este que escreve e seus leitores já conseguiram uma grande
vitória. As cerca de 1000 pessoas que deixaram seus dados aqui e que se dispõem
a se organizar nesse movimento podem se tornar uma luz a guiar quem quiser
escapar das trevas que se abatem sobre o Brasil. É só o que nos cabe nesse
latifúndio, ao menos por enquanto.
A você que corajosamente aderiu ao chamamento deste Blog e do Movimento dos
Sem Mídia, dou as
boas-vindas e aviso que logo estaremos em contato. Parabéns
por seu destemor. É de pessoas como você que o Brasil mais precisa neste
momento.
Fonte:
Atenção: as palavras em destaque, em negrito e na cor vermelha são DESTE BLOGUEIRO.