terça-feira, 4 de outubro de 2016
Suplicy, o EXÍMIO petista ! ! !
O exemplo de Eduardo Suplicy – Um petista insólito nas ruas de São Paulopor Bajonas Teixeira
Nos últimos meses um petista insólito cruzou os espaços urbanos de São
Paulo. Ele foi detido pela PM mais de uma vez, esteve ao alcance de riscos
diversos, como o de ser alvejado pelas pérfidas balas de borracha. Nos diversos
confrontos em que se fez presente, foi atingido por spray de pimenta, recebeu
ameaça de ser surrado com cassetete, foi arrastado, discutiu com PMs e levou
empurrões.
Sem dúvida, o fato mais significativo da esquerda nos últimos meses foi
a presença constante de Suplicy no front das lutas populares em São Paulo. Ele
enfrentou a polícia, combateu ao lado dos viciados em crack, dos sem teto e dos
despejados. Não é pouco.
E agora foi eleito com uma votação consagradora, como o vereador mais
votado do país, com mais de 300 mil votos. Isso prova que a esquerda está morta
ou combalida? De forma nenhuma. Isso prova que o político de esquerda,
escondido em seu gabinete, eternamente de terno, transportado por chofer em
carro blindado, instalado longe dos riscos físicos, incapaz de pôr o corpo à
prova, isto é, o político burocrata de esquerda, está morto.
Nem o Judiciário, nem a mídia, nem Sérgio Moro nem o STF, conseguiram
privar Eduardo Suplicy dos votos que merecia. O espírito de burocracia do PT
fez muita gente rir quando soube que ele seria candidato a vereador. Foi uma
surpresa hilária.
Como? De ex-Senador para candidato à vereador? Muita gente ficou entre
perplexa e divertida com a notícia. Mas, o fato, é que por si só, essa salto
mortal da cúpula do senado ao subsolo da vereança, já deu muito o que pensar.
O que a recente trajetória meteórica (para baixo e para cima) de Suplicy
prova? Que o PT não morreu para seu verdadeiro eleitorado, ao contrário. Esse
eleitorado está clamando pelo PT. Mas não o PT, ou a esquerda burocrática e
presunçosa, desfilando seu poder em carros oficiais, mas a esquerda de mangas
arregaçadas e efetivamente ao lado dos pobres nos momentos de confronto.
Esse PT que está sendo demandado, não é um PT que nunca existiu. É, ao
contrário, o PT que deu origem ao PT das grandes vitórias e que, depois,
exatamente por sentir-se tão vitorioso, se afastou das ruas e se trancou nos
gabinetes.
Colocar a questão de vitória ou derrota, de fim possível do PT, nos
termos que fazem os analistas da Globo, nos seus comentários nauseantes e
vazios, é seguir a cartilha da mídia, que só compreende a realidade pelo
positivismo mais pedestre. Eles só reconhecem fatos, mas não sabem ler
tendências.
Quem se restringir ao
modelo de análise da Globo, vai contar prefeituras e vereadores, pode chegar a
conclusões muito óbvias com os dados disponíveis – “O PT perdeu em quatro anos
mais da metade das prefeituras...” – mas não pensará a política. Fora do ópio
da Globo, fica claro que o PT perdeu, mas que essa derrota pode ter sido a
melhor coisa que aconteceu a essa partido nos últimos 25 anos.
Acesse http://www.ocafezinho.com/
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segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Onde ERRAMOS, por Frei Betto ! ! !
NÓS
ERRAMOS: frei Betto
Frei
Betto é escritor, autor do romance “Minas do ouro” (Rocco), entre outros
livros.
Continuo a fazer coro com o “Fora
Temer” e a denunciar, aqui na Europa, onde me encontro a trabalho, a usurpação
do vice de Dilma como golpe parlamentar. Porém, as forças políticas
progressistas, que deram vitória ao PT em quatro eleições presidenciais, devem
fazer autocrítica.
Não resta dúvida, exceto para o
segmento míope da oposição, que os 13 anos do governo do PT foram os melhores
de nossa história republicana. Não para o FMI, que mereceu cartão vermelho; não
para os grandes corruptores, atingidos pela autonomia do Ministério Público e
da Polícia Federal; nem para os interesses dos EUA, afetados por uma política
externa independente; nem para os que defendem o financiamento de campanhas
eleitorais por empresas e bancos; nem para os invasores de terras indígenas e
quilombolas.
Os últimos 13 anos foram melhores
para 45 milhões de brasileiros que, beneficiados pelos programas sociais,
saíram da miséria; para quem recebe salário mínimo, anualmente corrigido acima
da inflação; para os que tiveram acesso à universidade, graças ao sistema de
cotas, ao ProUni e ao Fies; para o mercado interno, fortalecido pelo combate à
inflação; para milhões de famílias beneficiadas pelo programas Luz para Todos e
Minha Casa, Minha Vida; e para todos os pacientes atendidos pelo programa Mais
Médicos.
No entanto, nós erramos. O golpe foi
possível também devido aos nossos erros. Em 13 anos, não promovemos a
alfabetização política da população. Não tratamos de organizar as bases
populares. Não valorizamos os meios de comunicação que apoiavam o governo nem
tomamos iniciativas eficazes para democratizar a mídia. Não adotamos uma
política econômica voltada para o mercado interno.
Nos momentos de dificuldades,
convocamos os incendiários para apagar o fogo, ou seja, economistas neoliberais
que pensam pela cabeça dos rentistas. Não realizamos nenhuma reforma
estrutural, como a agrária, a tributária e a previdenciária. Hoje, somos
vítimas da omissão quanto à reforma política.
Em que baú envergonhado guardamos os
autores que ensinam a analisar a realidade pela óptica libertadora dos
oprimidos? Onde estão os núcleos de base, as comunidades populares, o senso
crítico na arte e na fé?
Por que abandonamos as periferias;
tratamos os movimentos sociais como menos importantes; e fechamos as escolas e
os centros de formação de militantes?
Fomos contaminados pela direita.
Aceitamos a adulação de seus empresários; usufruímos de suas mordomias; fizemos
do poder um trampolim para a ascensão social.
Trocamos um projeto de Brasil por um
projeto de poder. Ganhar eleições se tornou mais importante que promover
mudanças através da mobilização dos movimentos sociais. Iludidos, acatamos uma
concepção burguesa de Estado, como se ele não pudesse ser uma ferramenta em
mãos das forças populares, e merecesse sempre ser aparelhado pela elite.
Agora chegou a fatura dos erros
cometidos. Nas ruas do país, a reação ao golpe não teve força para evitá-lo.
Deixemos, porém, o pessimismo para
dias melhores. É hora de fazer autocrítica na prática e organizar a esperança.
sábado, 1 de outubro de 2016
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