quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Juiz de origem dos povos TRADICIONAIS denuncia ! ! !


Índio se forma, passa em concurso de juiz e é discriminado no Tribunal de Santa Catarina


“Desejam me retirar do cargo, talvez por achar que sou incapaz por ser cotista e por incômodo com decisões garantistas”, afirmou o juiz.


O juiz indígena Yves Luan Carvalho Guachala, de 37 anos, denunciou perseguição etno-ideológica dentro do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

 

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investigue o caso e afirmou que medidas contra o magistrado podem afetar a permanência de indígenas no sistema de Justiça. Com informações de g1.

 

Guachala ingressou na magistratura pelas cotas destinadas a indígenas e responde, desde janeiro, a um processo disciplinar que pode levar à demissão.

 

“Desejam me retirar do cargo, talvez por achar que sou incapaz por ser cotista e por incômodo com decisões garantistas”, afirmou o juiz.

 

A Apib sustenta que decisões tomadas pelo magistrado provocaram reações na comarca. Entre elas, estão extinções de execuções fiscais de baixo valor consideradas antieconômicas e relaxamentos de prisões em audiências de custódia, especialmente em casos com pequena quantidade de drogas ou relatos de violência policial e tortura.

 

Para a entidade, a Corregedoria-Geral do TJSC abriu investigação após essas decisões e promoveu uma audiência pública que reuniu críticas ao juiz. A defesa de Guachala e a Apib classificaram a coleta de depoimentos como “pesca de provas”.

Depoimentos citaram origem indígena 

O documento encaminhado pela Apib relata que testemunhas mencionaram repetidamente a origem indígena de Guachala. A entidade também apontou boatos de que ele seria o “novo traficante da cidade” ou teria ligação com facções criminosas, acusações que o juiz nega.

 

Depoimentos reunidos no procedimento ainda trouxeram críticas a aspectos pessoais do magistrado, como o uso de bermuda e regata para exercícios em espaços públicos. Uma testemunha afirmou que, “pela aparência”, Guachala “facilmente levaria enquadro se não fosse juiz”.

 

Guachala estudou em escola pública e cursou Direito com bolsa do ProUni. Ele disse que não enfrentou problemas em 15 anos de carreira jurídica antes de assumir a comarca de Catanduvas e classificou o que vive como violência institucional.

 

O magistrado afirmou que o tribunal o retirou do fórum em 16 de abril, durante uma audiência de instrução. “Tive que deixar a cidade e estou vivendo à base de remédios controlados”, relatou. O TJSC informou que o processo corre sob segredo de Justiça e atribuiu o afastamento a denúncias de servidores e a supostas irregularidades administrativas e disciplinares.

 

Guachala também apresentou um Procedimento de Controle Administrativo ao CNJ, mas o órgão arquivou a demanda sem ouvi-lo, segundo o juiz. O conselho declarou não ter localizado processo com a Apib como requerente, enquanto a articulação afirmou aguardar resposta ao pedido de apuração.

 

Uma denúncia apresentada por Guachala à Polícia Federal chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que negou a abertura de investigação. O juiz criticou o julgamento: “Não tenho acesso ao sistema, não posso comprovar nada, não tenho capacidade probatória nenhuma, não tenho nenhum instrumento para me defender”.

 

O CNJ registra 24 juízes que se autodeclaram indígenas entre 18.931 magistrados no país, o equivalente a 0,1% do total. No ofício enviado ao conselho e ao Fórum Nacional do Poder Judiciário para monitoramento das demandas dos povos indígenas, a Apib pediu oitiva de testemunhas de defesa e medidas contra o uso de corregedorias locais como instrumentos de perseguição etno-ideológica.

 

FONTE: https://eassim.com.br/indio-se-forma-passa-em-concurso-de-juiz-e-e-discriminado-no-tribunal-de-santa-catarina/



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