A promiscuidade obscena na Lava Jato

Artigo do jornal norte-americano The New
York Times. (Imagem: Reprodução)
Por Jeferson Miola
Ainda que mais lentamente que rapidamente, a verdade sobre o gangsterismo de integrantes da Lava Jato está vindo à tona.
Pouco a pouco vão sendo
descobertas novas camadas da promiscuidade obscena entre juízes,
desembargadores, procuradores e policiais federais que integraram a operação
chefiada pelo ex-juiz suspeito e hoje senador de extrema-direita Sergio Moro –
que o ministro Gilmar Mendes, do STF, considerou uma organização criminosa.
Além do conluio de funcionários públicos da
alta aristocracia estatal com a mídia hegemônica, a operação também foi
impulsionada em função de laços societários, de amizade, compadrio e parentesco
de autoridades públicas entre si e com agentes privados.
São notórios os casos de amizade íntima,
vínculos familiares e identidade política entre procuradores, policiais
federais, juízes e advogados.
O ex-procurador da República e hoje deputado federal ultradireitista Deltan Dallagnol, por exemplo, idealizou uma fundação privada controlada pelos integrantes da Lava Jato para receber seis bilhões de reais desviados da Petrobrás.
Com o faro empreendedor de quem já havia investido exitosamente em imóveis do programa social Minha Casa Minha Vida, Deltan também planejou criar uma empresa de palestras sobre combate à corrupção com seu colega de PGR Roberson Pozzobon. Típicos exemplares de cidadãos de bem e pregadores da falsa moral, eles naturalmente pensaram em colocar as respectivas esposas como “laranjas” no negócio.
O advogado Rodrigo Castor de Mattos, irmão
do procurador Diogo Castor de Mattos, advogava para réu da Lava Jato denunciado
pelo próprio irmão!
Cabe recordar que o procurador Diogo foi
demitido do MPF em 2021 por ter contratado a instalação de um outdoor próximo
ao aeroporto de Curitiba com os dizeres: “Bem-vindo à República de Curitiba –
terra da Operação Lava Jato – a investigação que mudou o país. Aqui a lei se
cumpre” [sic].
Apesar disso, Diogo continua recebendo
polpudo salário, porque ele se beneficia justamente daquele princípio que tanto
combateu em relação aos “inimigos”: o trânsito em julgado.
Os irmãos Castor de Mattos são primos do
sub-procurador da República no TRF4 Maurício Gotardo Gerum, que não teve nenhum
escrúpulo e atuou no caso para aumentar a pena do presidente Lula nos casos
fabricados pela Lava Jato.
O advogado Carlos Zucolotto Júnior, sócio de Rosângela Moro em escritório de advocacia e padrinho de casamento do casal Moro, cobrou 5 milhões de dólares em propina de Rodrigo Tacla Duran para facilitar um acordo de delação premiada que seria confirmado com uma pessoa identificada por “DD” – iniciais de Deltan Dallagnol.
Moro e Deltan fogem do depoimento de Tacla Duran como o diabo foge da cruz. Para evitar que Tacla Duran se apresente em juízo e deponha na PF para entregar as provas da proposta de propina oferecida a ele por Carlos Zucolotto, o ex-juiz suspeito Sergio Moro foi salvo pelo desembargador do TRF4 Marcelo Malucelli, que forjou um pedido de prisão de Tacla Duran.
Ocorre, no entanto, que o desembargador
jamais poderia ter assumido o caso, pois o filho dele, o advogado João Eduardo
Barreto Malucelli, além de sócio do casal Moro em escritório de advocacia,
também é genro de Sergio e Rosângela Moro. Tudo em casa, portanto.
Com o afastamento do desembargador
Malucelli, não sem antes tumultuar o processo e retardar o depoimento de Tacla
Duran, assumiu a relatoria da Lava Jato no TRF4 o desembargador Loreci Flores.
Para não fugir à regra da promiscuidade
obscena na Lava Jato, o desembargador Loreci é irmão do delegado da PF Luciano
Flores, responsável pela absurda condução coercitiva de Lula em março de 2016 e
pelas gravações ilegais de Dona Marisa.
Loreci, além disso, lotou no seu gabinete do
TRF4 ex-assessores de confiança de Sergio Moro, que trabalhavam com o ex-juiz
suspeito quando ele era o responsável pela 13ª Vara federal de Curitiba.
Em comparação com a conduta escancaradamente
ilegal dos dois desembargadores do TRF4, a juíza Gabriela Hardt até fica
parecendo uma santinha.
Não por acaso a chamada operação Lava Jato é considerada pela imprensa internacional como o maior esquema de corrupção judicial da história.
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