
Sempre tive muita dificuldade de
conviver com pessoas ridículas. Em regra, o ridículo não consegue se imaginar
como tal e causa enorme constrangimento a todos. É o que chamamos de vergonha alheia quando nos deparamos com
situações trágicas de tão embaraçosas.
Existem pessoas que não conseguem
aguentar a convivência com os ignorantes; outras abominam a burrice e desprezam a prepotência. Para mim,
ser ridículo é ser um pouco da fusão de todas
essas “qualidades”.
Imagine que, no atual momento, o
mundo inteiro está discutindo a melhor maneira de enfrentar a crise sanitária.
Em todos os cantos e recantos do mundo, há uma corrente de solidariedade e compaixão com os infectados.
Uma real força que emana da quase totalidade das pessoas no sentido de
acompanhar o implemento das vacinas, de torcer pela queda do número de
infectados, de manter um pensamento contra a dor, contra a solidão, contra o desespero da doença.
Enquanto me recolho para levar um
pensamento positivo contra a angústia dos
que sofrem, contra o medo natural que toma conta dos que percebem a gravidade
da doença, consigo acompanhar a emoção natural de quem conseguiu se vacinar.
Principalmente num país onde o Presidente da
República optou por não comprar a vacina e investir na morte, por desprezar a
ciência.
Pensamentos contraditórios ficam cada
vez mais evidenciados: temos os que prezam e lutam pela vida, respeitam as
normas que são ditadas pela medicina e os negacionistas, que pregam o culto à
morte, ao sadismo. Contra os fascistas, que desconhecem a empatia e a solidariedade, vamos aos poucos
nos posicionando e cortando as relações, mostrando nosso desprezo. A postura de
enfrentamento das atitudes canalhas faz
de nós pessoas com maior comprometimento à dor, seja nossa ou do próximo.
Mas eis que surge aquele que não tem
noção do ridículo, num país onde o luxo maior é conseguir ser imunizado, pois o
descaso criminoso do
Presidente da República faz com que faltem vacina, oxigênio e insumos. Onde a
política assassina optou, numa decisão medíocre e criminosa, por não permitir a
compra das imunizantes. Onde, pelo que se sabe até agora, por ordem direta do irresponsável que ocupa a cadeira de
Presidente, o governo deixou de comprar, várias vezes, lotes de milhões de
doses que foram oferecidas pelas empresas.
O caos é tamanho que foi necessário o STF, prestigiando o direito constitucional das minorias, determinar a abertura de uma CPI no Senado Federal para acompanhar a tragédia causada pela Covid. O enredo, se levado a sério, terminará com a destituição e prisão dos responsáveis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário