“Os laços de fraternidade entre os povos são muito mais fortes que o ódio irracional de alguns representantes das elites”
Foto: Ricardo Stuckert

”A saúde não é um bem, não é uma propriedade privada. A saúde é vida,
condição primeira para fazermos qualquer coisa nesse mundo. Os serviços de
saúde não podem ser mais um comércio como outro qualquer. E o ofício de quem
cuida da saúde dos outros sempre será dos mais belos, sempre será uma missão,
um ato de generosidade e carinho por outro ser humano.
No Brasil, os
médicos de Cuba foram onde não havia médicos brasileiros. Em muitas comunidades
pobres, distantes, de indígenas, que jamais tinham sido assistidas por um
profissional da saúde.
Muitos criticaram o governo da presidenta Dilma Rousseff por trazê-los.
Seria bom se não precisássemos. Se o Brasil tivesse tantos médicos que eles
ocupassem todas as vagas pelo interior e periferias pobres do Brasil. Que bom
seria se tivéssemos, como Cuba, médicos até para exportar para outros países!
Que coisa bonita uma ilha latino-americana que exporta médicos para o mundo.
Muito melhor do que países ricos que exportam soldados e derrubam bombas em
comunidades pobres. Cuba exporta vida, carinho, saúde.
Mas não temos tantos médicos. O Brasil foi o último país da América do
Sul a ter uma universidade, só em 1922. E isso porque tinham que criar uma para
dar um título de doutor para o Rei da Bélgica!
Brasil e Cuba viveram séculos de escravidão e exploração colonial. Mas
dos dois, só Cuba tem médicos para exportar para o mundo.
No Brasil, medicina era curso exclusivo de filhos de ricos, antes do
Partido dos Trabalhadores chegar ao governo. O filho do pobre não tinha direito
nem de SONHAR em ser médico antes do PT. Criamos cotas para negros e estudantes
de escolas públicas nas universidades federais, ampliamos os mecanismos para os
jovens poderem estudar em escolas privadas de graça ou pagando poucos juros
após fazerem o curso.
Abrimos novas universidades, inclusive cursos de medicina, no interior
do país. Aumentamos o número de jovens pobres e negros no ensino superior.
Quando deram o golpe na democracia em 2016, para tirar o PT do governo, uma das
primeiras medidas adotadas foi impedir a criação de novos cursos de medicina no
país.
Proibir que se ensine mais profissionais de saúde. Um absurdo.
Mas mesmo o governo de Michel Temer, a pedido dos prefeitos das
cidades, que sabem a dificuldade que era encontrar médicos para postos de saúde,
manteve o Mais Médicos entre 2016 e 2018.
Quando os médicos cubanos chegaram ao Brasil tentaram de todo o jeito
desqualificá-los. Mas eles venceram pela qualidade do serviço prestado ao povo
brasileiro. Pela dedicação, pela atenção, pelo conhecimento e profissionalismo,
pela medicina humana e preventiva que praticam. Ganharam o carinho e a gratidão
de milhões de brasileiros, que agora temem voltar a ficar sem a assistência que
salvou tantas vidas no Brasil.
Eu lamento que o preconceito do novo governo contra os cubanos tenha
sido mais importante que a saúde dos brasileiros que moram em comunidades mais
distantes e carentes.
Eu agradeço aos médicos cubanos que superaram as críticas e
preconceitos e nos ensinaram que uma medicina mais humana não só é possível,
como é mais eficiente para melhorar os padrões de saúde de nossas comunidades.
No final os cubanos trocaram experiências e conhecimentos com muitos
médicos brasileiros, e chamaram a atenção de todos para a importância da
medicina preventiva e da atuação na saúde das famílias.
Por isso quero dizer ao povo de Cuba: tenham muito orgulho dos seus
médicos e das suas escolas de medicina.
Vocês conquistaram milhões de admiradores, milhões de pessoas gratas no
Brasil.
O distrito de Batinga, na cidade de Itanhém, na Bahia, organizou uma
passeata com toda a comunidade para se despedir do Doutor Ramon Reyes, que
atendeu por anos no local e conquistou a todos. Saíram com faixas agradecendo o
bem que esse médico fez e com esperança que ele um dia retorne. Uma homenagem
simples e sincera de um povo que recebeu os cuidados atenciosos de um filho de
uma ilha distante do Caribe, cercada por décadas por um feroz bloqueio pelo
país mais poderoso do planeta, e que, ainda assim, consegue exportar médicos e
conhecimento.
Os laços de fraternidade entre os povos são muito mais fortes que o
ódio irracional de alguns representantes das elites.
É a lição que os médicos cubanos ensinam em tantos países do mundo e
também nos ensinaram no Brasil.
Muchas Gracias,
Luiz Inácio Lula
da Silva”
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